Quarta-feira

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Nova leva de revisões vê recuo de até 7,4% do PIB

Ao incluírem em seus cenários a maior duração das medidas de quarentena e o tombo mais forte da atividade em março e abril, economistas seguem ampliando as projeções de recessão para a economia brasileira em 2020. Enquanto o consenso de mercado do boletim Focus indica retração de 5,1% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no período, bancos e consultorias veem redução de até 7,4%. O aumento do risco político também vem sendo levado em conta nos números.

O Goldman Sachs mudou ontem a projeção de queda para o PIB brasileiro neste ano, de 4,6% para 7,4%. Para 2021, a previsão é de expansão de 4%. Segundo a equipe de pesquisa para América Latina, chefiada por Alberto Ramos, o PIB se contrairia em 14,2% na primeira metade do ano, com alta de 7,7% no segundo semestre. A atividade não voltaria ao nível pré-crise antes de 2023.

Em relatório sobre o cenário para o continente, o banco destaca que o Brasil tornouse um dos epicentros da pandemia. A aceleração da doença levou autoridades a estenderem e, em alguns casos, reforçarem protocolos de distanciamento social, observam os analistas da instituição. Ainda assim, “até agora, não há clara indicação de quando o pico da curva será atingido, dado, entre outras coisas, o enfraquecimento do cumprimento das medidas de distanciamento social nas principais cidades”, diz o relatório.

O banco cita também o volume baixo de testagem no Brasil e a contínua discordância entre governo federal e autoridades locais quanto ao escopo e intensidade das medidas para lidar com a crise. A LCA Consultores menciona as “turbulências” no quadro político como um dos motivos que levaram à estimativa de recuo de 5,6% para a economia neste ano - a previsão anterior era de queda de -3,5%. Os outros fatores são a retração maior nos indicadores de março e abril, a postergação do isolamento e a evidência de retomada mais lenta em outros países.

Desde meados de março, observa a LCA, o Brasil adotou o chamado Distanciamento Social Ampliado (DSA), mais brando que o “lockdown”. Mesmo com uma quarentena menos severa, diz a consultoria, o impacto da restrição à circulação de pessoas na atividade foi expressivo. Se em março produção industrial, varejo e serviços refletiram apenas parcialmente as medidas de confinamento, os dados de abril vão mostrar esse impacto em sua totalidade, diz Gustavo Arruda, economista-chefe para Brasil do BNP Paribas. Por isso, calcula Arruda, a atividade na indústria deve ter afundado cerca de 40% no mês passado. Na segunda, o banco francês divulgou sua nova estimativa para a queda do PIB em 2020, de 7%.

“Esse imenso choque negativo vai alargar dramaticamente o já aberto hiato do produto [uma medida de capacidade ociosa na economia]”, destaca o economista, para quem o PIB só vai recuperar o nível pré-crise em 2022. Essa também é a expectativa do Santander, que passou a trabalhar com recuo de 6,4% do PIB no ano. Já a previsão para o crescimento em 2021 subiu de 1,7% para 4,4%.

Mesmo assim, ressalta a equipe econômica chefiada por Ana Paula Vescovi, “os números indicam perda acumulada do produto ainda maior no biênio”. O banco assume que as medidas de quarentena serão relaxadas a partir de meados de junho. A economia, no entanto, só deve voltar a estar “totalmente operacional” a partir de setembro. A reação da atividade deve começar no terceiro trimestre, com retomada “de imediato” da produção, avalia o Santander. Já a demanda deve ser severamente atingida pelo aumento do desemprego e da incerteza e pela mudança de comportamento de consumidores e empresas.

“Nessa passagem da crise em que o foco ainda está em resolver a insuficiência de renda dos informais, dos vulneráveis e de sustentar as empresas, seria uma oportunidade para fazer um redesenho de políticas sociais no Brasil, realocando recursos ao invés de adicionar gastos”, diz Ana Paula Vescovi, economista-chefe do Santander Brasil.

O Barclays foi outra instituição que ficou mais pessimista. Agora, o economista-chefe para Brasil do banco britânico, Roberto Secemski, prevê redução de 5,7% para o PIB do país em 2020, e segue destacando que os riscos são de desempenho ainda pior.

A nova hipótese inclui o prolongamento das medidas de distanciamento social, mas ainda há muita incerteza à frente, pondera Secemski, seja em relação à extensão do choque, seja sobre sua magnitude nos diferentes setores. “Além disso, a menor adesão ao longo do tempo às diretrizes de distanciamento pode resultar em novo aumento no número de casos de covid-19 semanas depois”, acrescentou.

 

BC avalia proposta dos bancos para crédito com garantia de imóvel

O Banco Central (BC) recebeu e avalia a sugestão dos bancos de criar um financiamento com base na parcela paga do imóvel. Ou seja, se o tomador de crédito tem um imóvel com 30 prestações já quitadas, ele poderá contratar um empréstimo equivalente ao valor das prestações pagas e o prazo de financiamento do imóvel se alonga naturalmente. Mas a autoridade monetária lembra que tem as suas próprias sugestões também em análise, que são o “home equity” e uma proposta “guarda-chuva” — que se diferencia do home equity porque permite que o proprietário de um imóvel quitado contrate operações de crédito variadas em diferentes bancos com base na garantia do seu imóvel.

Essas ideias fazem parte da agenda do Banco Central como mais uma medida para esquentar o crédito, um dos elementos chave da recuperação da economia. Em conversas passadas com o Valor o presidente do BC, Roberto Campos Neto, dimensionou o montante de crédito que pode ser gerado tendo o imóvel como garantia. Uma cifra conservadora, disse ele, seria contar com uma oferta de mais R$ 500 bilhões em contratos de operações de crédito.

Considerando só os imóveis residenciais das capitais do país chega-se à astronômica cifra de R$ 12 trilhões em garantias que poderiam ser usadas para tomar crédito. Todas as medidas acima demandariam mudança legal. Uma das propostas que o BC tem praticamente pronta é a de um “sand box” regulatório para fintechs e startups da área financeira. As empresas teriam, por exemplo, exigência de menos capital para começar a funcionar. São, portanto, regras mais flexíveis, que estimulariam a concorrência no setor.

 

Queda do PIB pode ser maior que 5% em 2020, afirma secretário do Tesouro

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou nesta terça-feira (19) que a economia brasileira pode registrar uma retração superior a 5% neste ano. A projeção oficial do Ministério da Economia, divulgada na semana passada, é de uma queda de 4,7%.

A queda do PIB (Produto Interno Bruto) estimada pelo secretário está em linha com a mediana do mercado. Os analistas projetam uma queda de 5,12% do PIB em 2020, conforme previsões compiladas pelo boletim Focus (do Banco Central) e divulgadas na segunda (18).

A retração da economia vai contribuir para um nível maior do índice de endividamento brasileiro, mas o secretário diz que mais importante que os números de 2020 ou 2021 é a trajetória da dívida pública nos próximos anos.

Em sua visão, o patamar historicamente baixo dos juros no país colabora para o enfrentamento desse cenário, ao limitar o custo da dívida pública. “A conta dos juros só não vai diminuir porque a dívida está aumentando”, afirmou em teleconferência promovida pela Câmara de Comércio França-Brasil.

Por isso, Mansueto defende o compromisso com o ajuste fiscal após a crise e com a manutenção do teto de gastos, além da retomada da agenda de reforma.

Mesmo assim, ele acredita que a reforma tributária não será aprovada neste ano. Há um consenso em torno da necessidade de mudanças, acredita, mas não quanto aos detalhes dessas alterações.

O próprio Mansueto fez ressalvas, por exemplo, a um novo imposto sobre pagamentos (ideia do ministro da Economia, Paulo Guedes). Para o secretário, o tributo não poderia ser criado nos mesmos moldes da antiga CPMF, que tinha uma alíquota de 0,37% em uma época de juros mais altos. “Com juro pequeno, não tem como fazer como no passado, pois poderia onerar muito. Tem que ter cuidado”, afirmou.

Diante da complexidade das discussões, o secretário acredita ser fundamental haver diálogo político e respeito ao contraditório para que as reformas tenham aprovação.

“Vai ser muito importante que os presidentes das duas Casas [Câmara e Senado] conversem com o presidente da República, com o ministro da Economia, que eles conversem entre si, [que tenham] um bom diálogo com o Judiciário. A gente vai precisar de um esforço como sociedade de ter esse dialogo político”, afirmou.

O Congresso vem pressionando o governo por mais despesas, como na possível extensão do auxílio emergencial de R$ 600. Mansueto diz que é impossível a ação se tornar um programa de transferência de renda para informais porque a carga tributária teria que ser elevada de forma significativa.

Em suas contas, o auxílio pode englobar 80 milhões de pessoas. Por isso, ele prefere dar prioridade a programas como o Bolsa Família. “É um programa muito bem avaliado e focalizado”, afirmou.

Mansueto relata que diante de pressões do mundo político por mais gastos, costuma citar a necessidade de aumento de impostos para compensar. Mas, relata, essa alternativa costuma ser rechaçada.

Por isso, ele defende como necessário para as intenções de aumentar gastos (por meio de investimentos, inclusive) que se pende em corte de várias outras despesas.

Os gastos com medidas anticrise, somados à queda na arrecadação por conta da retração da atividade, devem fazer o país fechar o ano com um déficit primário próximo a R$ 700 bilhões em suas contas.

As projeções também apontam que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) terminará o mandato sem superávit nas contas públicas, conforme o secretário. Sem o coronavírus, havia possibilidade de um pequeno superávit em 2022. Com a crise, reconhece Mansueto, isso não deve ocorrer.

Dessa forma, fica frustrada a promessa eleitoral de Bolsonaro de se atingir um superávit nas contas públicas o quanto antes. Guedes chegou a prometer um superávit ainda em 2019, antes do coronavírus, o que também não ocorreu.

 

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