Sexta-feira

EXAME

Problema entre EUA e China não atinge diretamente Brasil, diz Meirelles

Possível candidato à Presidência da República, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, considerou nesta quinta-feira, 22, que as eleições majoritárias de outubro representam um risco maior à retomada do crescimento econômico do que as tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

O titular da Fazenda informou ainda que o processo de negociação para isentar o Brasil da sobretaxação das importações de aço nos Estados Unidos ainda não foi aberto. O governo de Donald Trump suspendeu a barreira ao aço brasileiro enquanto durarem as negociações por um acordo bilateral, mas já adiantou que vai cobrar contrapartidas para retirar a barreira definitivamente.

“Agora, sim, eles vão definir o que querem negociar”, comentou Meirelles, após participar de encontro com empresários da indústria têxtil na capital paulista.

O ministro lembrou que, durante a reunião do G20 – realizada nesta semana em Buenos Aires – teve uma conversa “produtiva e franca” sobre o tema com o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, que ficou de levar a mensagem brasileira ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos na volta ao país.

“Não é só questão de contrapartidas. Uma coisa é os Estados Unidos negociando com a China, que é um problema comercial mais abrangente. Outra coisa é a questão específica em relação ao Brasil. O aço brasileiro tem características diferentes do de outras regiões”, disse Meirelles, após lembrar que as siderúrgicas norte-americanas utilizam aço semiacabado fornecido pelo Brasil como insumo.

Ele avaliou ainda que a possibilidade de uma guerra comercial entre Estados Unidos e China não é boa, mas não afeta diretamente o Brasil, salvo ocorra uma retração forte nas economias dos dois maiores parceiros comerciais do Brasil. “Não acredito que chegue nesse ponto.”

“A questão mais importante para nós é o processo eleitoral neste ano, principalmente levando em conta o que vai ser feito pelo próximo presidente”, acrescentou o titular da Fazenda, que, mais uma vez, disse que tomará a decisão sobre sua candidatura até o começo de abril.

Meirelles reforçou as previsões do governo de crescimento de 3% da economia brasileira neste ano, com geração de 2,5 milhões de postos de trabalho.

“As condições estão sólidas para isso. Os investimentos em máquinas e equipamentos no fim do ano passado indicam isso. A compra de bens duráveis pelas famílias, também”, afirmou.

Numa defesa da agenda reformista, Meirelles disse que, embora a carga tributária brasileira seja a mais elevada entre as economias emergentes, o País tem um déficit fiscal de R$ 159 bilhões. “O problema são as despesas obrigatórias, principalmente a Previdência Social”, assinalou. Segundo ele, o governo já eliminou todo o crescimento registrado nas despesas discricionárias, onde o Executivo tem maior controle, desde 2009.

 

VALOR ECONÔMICO

Trump dá início à escalada comercial contra a China

Com o espalhafato habitual, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ontem as primeiras medidas para deter a "agressão econômica" da China, uma coleção de práticas que, segundo ele, contribuíram para um déficit comercial de US$ 375 bilhões favorável aos chineses. No que também se tornou praxe, Trump faz estardalhaço sobre ações que só detalhará em futuro próximo e que nem sempre tem o alcance ameaçador original. É seu jeito de tentar obter vantagens na negociação.

Trump disse ontem que o USTR apresentará em 15 dias lista de 1.300 linhas tarifárias de produtos chineses que serão taxados em 25%, e que o Tesouro deve se preparar para restringir investimentos chineses em indústrias e setores que os EUA considerem estratégicos. Além disso, orientou seus diplomatas a iniciar ações na Organização Mundial de Comércio contra o que considera "práticas discriminatórias de licenciamento de tecnologias" por parte da China.

As medidas tarifárias devem atingir US$ 60 bilhões das exportações chinesas para o mercado americano e teriam sido calibradas para ter pouco efeito para os consumidores. A estratégia dos EUA, pelo que sobressai de relatório de 215 páginas feito pelo USTR, é modelar suas ações para impedir que Pequim consiga cumprir as metas ambiciosas do programa "Made in China 2025", que tornaria o país o que ele não é hoje: um país de vanguarda tecnológica nas principais fronteiras do conhecimento.

A China selecionou 10 setores estratégicos e, não por acaso, são 10 também os setores no alvo das retaliações americanas - tecnologia de informação de última geração, robótica, biotecnologia, novas energias, transporte, novos materiais, veículos elétricos, tecnologias de eficiência energética e aeroespacial e equipamentos de ponta. A maior frente de confronto com Pequim é a propriedade intelectual. É um segredo de polichinelo que o Estado chinês e suas empresas estatais estabeleceram há tempos condições formais e informais que obrigam as empresas que se instalam no país, não só as americanas, a transferir tecnologia para as companhias chinesas com as quais obrigatoriamente se associam, em troca de acesso ao mercado. Frequentemente, essa transferência é roubada pelos parceiros locais.

Trump acredita que com retaliações conseguirá fazer a China interromper essas práticas, o que retardará a rápida subida do país na escala tecnológica. É mais que duvidoso que consiga. Enquanto uma parte da investida americana se dará em terreno chinês, para abrir o mercado e interromper práticas abusivas ou ilegais de obtenção do conhecimento tecnológico, a outra parte será feita em solo americano. Como já fez no passado, mas sem sistematicidade, o governo pretende impedir a aquisição de empresas americanas que detenham tecnologias de ponta.

O roubo de segredos industriais e de tecnologia por meio de hackers chineses, aponta o relatório da USTR, tem alvos específicos - são mais intensos nos setores que o Estado chinês selecionou como prioritários em seu plano econômico, em primeiro lugar, tecnologia da informação, aeroespacial e de telecomunicações. O avanço do investimento chinês nos EUA mudou de qualidade.

Segundo o USTR, as compras de companhias americanas, em valor, saltou de US$ 5 bilhões em 2010 para US$ 42 bilhões em 2016. Mas enquanto no ano 2000, 99,6% dos investimentos diretos dos chineses nos EUA eram em projetos "greenfield", (novos), entre 2010 e 2016 92,4% deles foram destinados a comprar companhias existentes. Pelo menos um quarto das 1.395 aquisições chinesas nesse período foram feitas por empresas estatais. Com Trump, é difícil separar o que é fanfarra e o que é determinação.

Os EUA isentaram das tarifas sobre aço a União Europeia, Austrália, Brasil, Argentina, Coreia do Sul, isto é, mais de 50% do total importado. De forma desorganizada ou não, o fato é que Trump intensificou sua ofensiva comercial. A China pode retaliar a altura e já insinuou que o fará - em aviões, soja, chips e automóveis, por exemplo. Pode fazer mais: é o segundo maior importador do mundo e só perde para os EUA. Retaliações persistentes entre as duas maiores economias do mundo podem fazer estragos no comércio internacional. Resta ver o que ambos negociarão - a verdadeira intenção de Trump com seus anúncios bombásticos.

 

Temor de guerra comercial afunda bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York afundaram nesta quinta-feira (22) com a volta dos receios de uma guerra comercial. As baixas foram generalizadas, com o Dow Jones perdendo mais de 700 pontos entre ontem e hoje, a maior baixa diária desde a forte correção de 8 de fevereiro. As 30 companhias do índice das blue-chips americanas caíram nesta sessão, e nove dos 11 segmentos do S&P 500 recuaram, com destaque para os setores financeiro e industrial.

No fechamento, o Dow Jones caiu 2,93%, aos 23.957,89 pontos, o S&P 500 recuou 2,52%, aos 2.643,69 pontos, e o Nasdaq registrou baixa de 2,43%, aos 7.166,67 pontos. Boeing e 3M fecharam com forte baixa e contribuíram com cerca de 200 pontos na queda de 724 pontos do Dow Jones.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, nesta quinta, a sobretaxação de produtos produzidos na China, que pode impactar em até US$ 60 bilhões nas importações chinesas ao país. A medida puxou uma onda vendedora de ações com o receio de que uma guerra comercial prejudique o crescimento econômico global.

O S&P 500 anulou os ganhos acumulados no ano e agora cai 1,12%, enquanto o Dow Jones ampliou as perdas para 3,08%. O Nasdaq ainda sustenta alta, com avanço de 3,81% em 2018. “O mercado está reagindo às notícias baseadas na ideia de que pode haver algum tipo de contágio que leve a uma guerra comercial", disse Michael Scanlon, gerente de portfólio da Manulife Asset Management.

Os índices americanos até ensaiaram uma melhora marginal diante da falta de detalhes do plano de Trump, retornando para perdas na faixa de 1% no meio da tarde. Mas os receios de embates comerciais entre os países mantiveram o clima pesado no exterior. Hoje, foi realizado um leilão de US$ 11 bilhões em títulos indexados à inflação (TIPS) de 10 anos pelo Tesouro dos EUA. O certame saiu com yield máximo de 0,764%, o maior desde maio de 2011, e acima da taxa de 0,548% do mês de janeiro.

O leilão embutiu uma inflação implícita de 2,07%, de 2,06% no início do ano, numa indicação de que os investidores não veem aceleração forte da inflação americana. Nas commodities, os preços do petróleo tiveram a pior sessão em duas semanas, retrocedendo de uma máxima em sete semanas. Os contratos do Brent para maio cederam 0,81%, a US$ 68,91 por barril, na ICE, em Londres, enquanto os do WTI para o mesmo mês caíram 1,33%, a US$ 64,30 por barril, na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex).

 

O ESTADO DE SÃO PAULO

ARTIGO

Celso Ming

O tombo dos juros e seus impactos

A forte derrubada da inflação é o principal indicador entre os que medem o desempenho da economia que atesta a solidez da recuperação.

Inflação ao redor de 3%, pelo segundo ano consecutivo, numa situação em que os preços estão inteiramente soltos e não há quaisquer atrasos nos reajustes, tem de ser considerada importante alavancadora de novos negócios.

Os juros básicos (Selic) mergulharão no dia 16 de maio para abaixo dos 6,5%, como indicou o Banco Central após a reunião do Copom na quarta-feira. É verdade que, na ponta do crédito, a queda dos juros ainda está bem atrasada. A principal explicação para isso é a ainda forte inadimplência que obrigou os bancos a reforçar provisões e, assim, enfrentar atrasos e calotes dos clientes. Mas é inevitável que, cedo ou tarde, o custo do crédito aos clientes dos bancos também caia e sejam estimulados investimentos na atividade econômica, por conta de custos de crédito mais baixos.

Outra consequência importante é a redução do retorno das aplicações financeiras. Ficaram para trás os tempos em que um dinheiro aplicado em renda fixa praticamente sem risco proporcionou excelente retorno real. Uma conta simplificada mostra que com juros de 6,5% ao ano, o retorno real em aplicações de renda fixa tende a ser inferior a 1% ao ano. Desses 6,5% ao ano têm de ser descontados a inflação de 3,0%, o Imposto de Renda e, no caso dos fundos de investimento oferecidos pelos bancos de varejo a pequenos investidores, a elevada taxa de administração.

É um resultado que empurra os aplicadores à renda variável e, portanto, para mais risco (veja mais no Confira). Já os empreendedores tendem a aplicar mais recursos em seus negócios do que a deixá-los no pinga-pinga da renda fixa.

No Brasil, muitos fundos de investimento de renda fixa têm taxas de administração superiores a 1% ao ano. Quando a inflação era de 10%, essa taxa comia 10% do rendimento nominal. Mas agora, a garfada tende a ser superior a 35%, o que caracteriza apropriação indébita de patrimônio alheio. O aplicador deve fugir dos fundos de investimento de renda fixa que cobram taxa de administração superior a 1%.

A opção por aplicações em renda variável, tanto diretamente em ações como em fundos multimercado, pode, assim, ficar inevitável. Nesse caso, o aplicador tem de contar com os solavancos das cotações, próprios do segmento.

Quando se fala em opções de aplicação de reservas em dinheiro se pergunta: por que não o mercado imobiliário? No momento, o principal fator inibidor é o mau estado das finanças da Caixa Econômica, depois de alguns anos de dilapidação promovida pelos administradores anteriores, cujo critério de utilização dos ativos era majoritariamente determinado por politicagem. Explica-se: a Caixa é o principal agente de financiamento de casa própria no País e, se suas finanças estão em desordem, não vale contar com sólida recuperação do mercado imobiliário.

Enfim, não haverá moleza aos aplicadores de reserva pessoal ou familiar no mercado financeiro.

 

Ruído na comunicação pode ter alimentado surpresa com Copom

A forte queda dos juros futuros ontem indica que a sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) de que deve haver mais um corte da Selic em maio foi uma grande surpresa. Não porque faltem motivos para reduzir ainda mais o juro - a inflação corrente desacelerou mais do que o esperado, empurrando para baixo as expectativas para o ano. Mas pelo fato de que, em nenhum momento, o BC colocou essa possibilidade claramente no radar.

Ao contrário, a comunicação da autoridade monetária chegou a esfriar o entusiasmo com a extensão do ciclo de flexibilização monetária. Foi o próprio Copom que, em fevereiro, levou o mercado a acreditar que o ciclo de corte de juros seria encerrado. No comunicado da decisão, o BC disse que considerava adequado interromper o ciclo de flexibilização. E que só "mudanças na evolução do cenário básico e do balanço de riscos" abririam espaço para queda adicional agora em março.

Naquele momento, o BC trabalhava com inflação de 4,2% neste ano, enquanto as projeções do mercado apontavam para 3,8%. Esse cenário foi colocado em dúvida no dia seguinte ao anúncio, quando o IPCA de janeiro veio mais fraco que o esperado. O índice subiu 0,29%, levando o mercado a revisar suas projeções para o ano. E também a questionar se esse dado já representaria mudança no balanço de riscos.

Dias depois, a ata do Copom mostrou que parte dos diretores era contrária ao sinal tão enfático sobre o fim do ciclo. Isso levou o mercado a considerar que a porta para novos cortes não estava assim tão fechada - visão reforçada pelos números do PIB, com a contribuição do consumo para o crescimento abaixo do esperado. E também pelo IPCA de fevereiro (0,32%), que completou o oitavo mês consecutivo de inflação em 12 meses abaixo de 3%.

Só quando o presidente do BC, Ilan Goldfajn, reconheceu que a inflação estava surpreendendo, o mercado passou a acreditar que haveria mais cortes de juros. A fala de Ilan não apenas encorajou o mercado a apostar em nova redução em março como levantou o debate sobre a possibilidade de cortes adicionais. Mas esse movimento foi contido pelo próprio BC.

Comentários de Ilan expressavam dúvidas quanto ao tamanho do hiato do produto. E o diretor de política econômica, Carlos Viana, chegou a dizer a representantes do mercado, em reuniões privadas, que as leituras estavam ousadas demais, segundo relatos desses profissionais. Esse vaivém de sinais influenciou não apenas os juros futuros como também os cenários de economistas, que tendem a ser muito mais conservadores.

Um bom exemplo foi o Itaú, que alterou sua expectativa para a Selic no fim deste ano de 6,5% para 6,75%, logo após a reunião do Copom de fevereiro. Um mês depois, voltou para 6,5%. Depois da reunião desta semana, o cenário base do banco passou a ser juro de 6,25%. O mercado chegou à última reunião com a expectativa de que o Copom elevaria o nível de exigência para um novo corte, indicando o fim do ciclo. Não foi o que aconteceu.

O Copom abriu a porta para queda adicional. O cenário alternativo se tornou a interrupção do ciclo. E tamanha surpresa pode ser verificada nas quedas dos juros futuros e na onda de revisões de cenários. Bradesco, UBS e BNP Paribas, por exemplo, se alinharam à sinalização de Selic a 6,25%. No mercado, as taxas de curto prazo, que sofrem influência da política monetária, tiveram as baixas mais intensas em oito meses. No fim do pregão regular, o DI para janeiro de 2019 era negociado a 6,240%, ante 6,455%. A aposta, até então residual, se tornou o cenário base: agora há 80% de chances de corte de 0,25 ponto em maio.

A mudança de discurso não chega a ser objeto de crítica do mercado porque boa parte dos analistas concorda que os fundamentos justificam um juro mais baixo. O BC corrigiu sua projeção de inflação para 2018 para 3,80%, num momento em que analistas já estão trabalhando com estimativa ainda mais baixa, perto de 3,40%. Ainda assim, esse ruído pode deixar o mercado mais suscetível a instabilidade a cada novo indicador.

Apesar do ruído, a percepção é de que a atual administração do BC tem sido muito zelosa sobre a transparência e comunicação. Ontem, mesmo, o presidente do BC disse que vai realizar quatro coletivas de imprensa por ano. A leitura da ata e do relatório trimestral de inflação (RTI) também ganham especial importância nesse sentido. Em 45 dias, num ano eleitoral e saindo de uma recessão, muitas coisas podem mudar e o que este episódio mostra é que há grande sensibilidade a cada comentário vindo do BC.

 

 

BANCO DE TALENTOS

ÁREA DO ASSOCIADO

O Sinduscon/RN pensa como você, e por isso trabalha:

NOSSA MISSÃO

Representar e promover o desenvolvimento da construção civil do Rio Grande do Norte com sustentabilidade e responsabilidade sócio-ambiental

POLÍTICA DA QUALIDADE

O SINDUSCON/RN tem o compromisso com a satisfação do cliente - a comunidade da construção civil do Rio Grande do Norte - representada por seus associados - priorizando a transparência na sua relação com a sociedade, atendimento aos requisitos, a responsabilidade socioeconômica, a preservação do meio ambiente e a melhoria contínua.

CONTATO

55 84 3206 5362

contato@sindusconrn.com.br

SOCIAL

LOCALIZAÇÃO

Rua Raimundo Chaves, 2182 - Sala 101 Empresarial Candelária - Candelária - Natal/RN

SINDUSCON/RN (C) 2012 - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS