Terça-feira

VALOR ECONÔMICO

Grupo dos Top 5 reduz para 6,25% a previsão da Selic ao fim de 2018

Os economistas do mercado consultados pelo Banco Central para sua pesquisa semanal Focus reduziram suas estimativas para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano e o próximo, segundo a mediana dessas expectativas divulgada nesta segunda-feira (26).

As maiores reduções em pontos percentuais, de médio prazo, ocorreram entre os economistas que mais acertam as projeções, os chamados Top 5: 3,67% para 3,41% em 2018, e 4% para 3,7% em 2019. Entre os economistas em geral, a previsão para o fim de 2019 caiu de 4,20% para 4,10% e, para 2018, de 3,63% para 3,57%. Nos próximos 12 meses, o ajuste foi mais sutil: 3,97% para 3,94%.

Na sexta-feira (23), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA15), espécie de prévia do indicador oficial, desacelerou para 0,10% em março, ficando ligeiramente abaixo da média de 0,12% apurada pelo Valor Data com 24 consultorias e instituições financeiras. No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 desacelerou para 2,80% em março, abaixo do piso do sistema de metas de inflação para este ano, de 3% — a meta é de 4,5%, com tolerância de flutuação de 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos.

Selic

Apesar da sinalização do próprio Banco Central no comunicado da última reunião do Comitê de Política Monetária - de que pode cortar novamente a taxa básica de juros em maio, depois de reduzi-la a 6,50% na semana passada -, apenas os Top 5 reduziram a mediana de suas estimativas para a Selic no fim de 2018, de 6,50% para 6,25%. Para 2019, o grupo manteve as projeções para a Selic em 8%, mesmo nível estimado pelos economistas em geral, que ainda esperam uma Selic de 6,50% no fim de 2018, tudo segundo as medianas das respectivas expectativas.

PIB

As projeções para o crescimento da economia foram ajustadas para cima em 2018: de 2,83% para 2,89% entre os economistas em geral. Para 2019, a expectativa de evolução do Produto Interno Bruto (PIB) se manteve em 3,00%. O Banco Central não segmenta as previsões das casas que mais acertam as estimativas para esse indicador.

 

Sem mudanças na estratégia do Copom

Muitos analistas econômicos ficaram surpresos com a sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de que voltará a baixar os juros em maio. Não houve, porém, nenhuma mudança na estratégia de política monetária. Entendê-la será fundamental para antecipar os próximos passos no ciclo de distensão. O Banco Central mantém o compromisso com a meta de inflação de 2018, definida em 4,5%, apesar das desconfianças no mercado de que a tenha abandonado.

Com a inflação supreendentemente mais baixa neste começo de ano, ela ficou um pouco mais distante. Ainda assim, todos os esforços neste período são para chegar o mais próximo dela. Isso inclui o sinalizado corte adicional de 0,25 ponto percentual em maio. Para a reunião seguinte, de junho, o Banco Central anunciou antecipadamente que, com o cenário econômico atual, deverá interromper o processo de flexibilização monetária, para avaliar os seus passos seguintes. Seria errado, porém, achar que essa sinalização é um compromisso firme e imutável.

Na verdade, o Banco Central está dizendo o que fará se o futuro se desenrolar da forma como é prevista hoje. Se o futuro for diferente, o Copom vai agir de forma diferente. Muitos economistas conceituados vem afirmando que não faz o menor sentido o Banco Central inflacionar uma economia que tem índices de inflação rodando em 3% para chegar a uma metade 4,5% em 2018, apenas para nos dois anos seguintes baixá-la, respectivamente, a 4,25% e 4%. Mas é exatamente o que o BC está fazendo: buscando a meta de 4,5%, ou tentando chegar o mais próximo dela.

Esse compromisso foi renovado nos documentos oficiais do Copom e, sempre quando questionados sobre o assunto, dirigentes da instituição afirmaram publicamente e em reuniões com representantes do mercado financeiro que vão mirar a inflação a 4,5% neste ano para baixá-la de novo logo adiante. O argumento do BC é que o sistema de metas de inflação terá ganhos de credibilidade se a política monetária focar nos objetivos estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Muita gente acha que o BC está dizendo uma coisa e fazendo outra. Se o foco fosse a inflação de 4,5%, argumentam, deveria ter baixado os juros antes. Afinal de contas, a projeção de inflação do BC para este ano estava em 4,2% desde dezembro de 2017, abaixo da meta, e o mercado previa inflação ainda menor do que isso.

O argumento do Banco Central é que os 4,2% então projetados para 2018 eram muito próximos da meta de 4,5%, dadas as incertezas em prever a inflação um ano à frente. Também tem dito que suas decisões devem ser norteadas pelas suas próprias projeções, não as do mercado.

No começo de 2017, por exemplo, o mercado projetava inflação mais alta, mas o BC resolveu cortar os juros apostando na sua própria projeção, que então era mais baixa que a dos analistas econômicos do setor privado. A ação de política monetária do BC nesse início do ano, portanto, mira a inflação de 2018. No cenário central do Banco Central, a inflação iria se acelerar em direção à meta ao longo deste ano. Mas o comitê via, também um risco de a inflação mais baixa se perpetuar.

Avisou o mercado que estava de olho nessa possibilidade. E pronto a agir. O BC deu alguns parâmetros muito concretos para o mercado sobre como lia os dados de inflação. Passou a chamar de "confortáveis" os núcleos de inflação que eram compatíveis com a convergência da inflação para a meta de 2018.

"Baixos" são os núcleos que sugerem certa perpetuação da inflação abaixo do piso da meta. Em novembro, os núcleos vieram entre baixos e confortáveis, por isso o BC estava em dúvida se precisaria cortar os juros muito abaixo de 7% ao ano. Quando o Copom se reuniu em fevereiro, estavam disponíveis os dados de inflação apenas de dezembro - e os núcleos eram todos confortáveis. Por isso, começou a encaminhar o fim do ciclo de distensão. Mas, nos dados de janeiro e fevereiro, veio uma safra de núcleos baixos. O ciclo de distensão foi prolongado. Esse é o passado, mas a estratégia vale para o futuro.

Na reunião de maio, o BC segue atribuindo um peso importante para a inflação de 2018, como fica implícito no comunicado da reunião da semana passada dio Copom. É bom entender, portanto, qual é o cenário inflacionário que o BC está traçando para 2018 e porque decidiu sinalizar, com as informações hoje disponíveis, que voltará a agir.

O Banco Central reduziu a sua projeção de inflação para 2018, mas o cenário de convergência de inflação em direção à meta não se alterou. Em fevereiro, o BC previa uma inflação de 4,2% para 2018 e, agora, 3,8%. Esse ajuste na projeção reflete apenas a inflação 0,4 ponto percentual menor do que a esperada efetivamente apurada nos dois primeiros meses do ano. Ou seja: a inflação ficou menor até agora, mas a expectativa é que vai seguir o roteiro daqui em diante.

No entanto, embora o cenário básico para a inflação siga o mesmo, o Banco Central vê riscos maiores de ele não se confirmar na prática. É para mitigar esse risco - como escrito no comunicado - que o colegiado pretende cortar de novo os juros em maio. Mas é bom notar que essa é a sinalização do BC com base nos dados hoje disponíveis. Não é uma promessa de ação, e sim uma função reação.

O Copom tem seu palpite sobre a evolução dos dados, mas não é melhor do que ninguém no mercado financeiro para prever o futuro. O BC deixou, desde já, bem claro o que, se o risco de inflação muito baixa desaparecer sozinho, não vai cortar os juros. Então é bom contar com o risco de os novos dados divulgados levarem os juros a ficarem estáveis em 6,5%. E se os dados forem mais favoráveis?

Hoje, o BC menciona apenas o risco de a inflação ficar muito baixa. Outra coisa será a inflação efetivamente apurada até meados do ano ficar aquém do previsto, e os núcleos forem considerados baixos. Será preciso, então, o BC rever o seu cenário principal. Nesse caso, cortes de juros nas reuniões de junho e seguintes voltam ao jogo, quando o foco da política monetária já será sobretudo a meta de inflação de 2019.

 

Banco eleva juro, mesmo com Selic no menor nível

Mesmo com a contínua queda da taxa básica de juros (Selic) e a indicação do Banco Central (BC) de que a cortará ainda mais nos próximos meses graças ao bom comportamento da inflação, os bancos voltaram a elevar o custo do crédito para famílias e empresas. A taxa de juros dos empréstimos com recursos livres subiu 1,1 ponto percentual em fevereiro, para 42,2% ao ano. No bimestre, a alta já é de 1,9 ponto. Para pessoas físicas, a taxa média foi de 57,7% ao ano no mês passado, face a 55,8% em janeiro.

A alta dos juros reflete o aumento dos spreads, isto é, a diferença entre o custo do dinheiro para os bancos e o que é cobrado do tomador final. No crédito livre, o spread médio teve alta de 1,2 ponto em fevereiro, para 34,1 pontos percentuais. Ao longo do tempo, os spreads vêm recuando - o do crédito livre estava em 42,4 pontos há um ano -, mas, agora, mesmo com a redução da taxa Selic ao menor patamar da história (6,5% ao ano), voltaram a subir. Os juros bancários estão subindo mesmo com a estabilidade da inadimplência. Até o custo do crédito consignado tem aumentado, embora esse tipo de empréstimo seja garantido pelo salário do tomador.

 

FOLHA DE SÃO PAULO

Mercado reduz projeção para a taxa básica de juros em 2018

Os economistas que mais acertam projeções no Boletim Focus, do Banco Central, projetam a taxa básica de juros mais baixa no fim deste ano após o BC cortar a Selic na semana passada e indicar nova redução em maio. A pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira (26) mostrou que o "Top-5" passou a calcular a Selic em 6,25% no fim de 2018, contra 6,50% antes. Para 2019, a conta continua sendo de 8%.

O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu na quarta-feira (21) cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, levando-a à nova mínima histórica de 6,5% ao ano. O BC ainda apontou que fará mais uma redução da Selic em maio antes de encerrar o ciclo de afrouxamento monetário. Os especialistas como um todo, entretanto, ainda mantiveram a expectativa para a Selic ao final deste ano em 6,5%.

O BC divulga nesta terça (27) a ata do encontro, que pode dar mais pistas sobre a condução da política monetária. A fraqueza da inflação é o que mantém abertas as apostas de mais cortes dos juros. No levantamento semanal com uma centena de economistas, a projeção para a alta do IPCA em 2018 agora é de 3,57%, 0,06 ponto percentual a menos do que na semana anterior.

Para 2019, a conta foi reduzida em 0,1 ponto, e foi a 4,10%. Em março, o IPCA-15 desacelerou a alta com força a 0,10%, atingindo o nível mais baixo para o mês em 18 anos com queda nos preços dos alimentos.

Para a expansão do PIB (Produto Interno Bruto), o Focus estima alta de 2,89% neste ano sobre 2,83% antes, e de 3% no ano que vem.

 

O ESTADO DE SÃO PAULO

‘2019 será o ano da verdade para o Brasil’

A Bolsa brasileira caminha para ter um desempenho muito positivo em 2018, apesar da volatilidade que as eleições presidenciais podem causar, na visão de Emy Shayo, estrategista para América Latina e Brasil do banco americano JP Morgan. Ela tem uma recomendação de compra da Bolsa brasileira, baseada num cenário externo benigno e na perspectiva de um crescimento forte nos lucros das empresas brasileiras. No seu cenário mais otimista, o Ibovespa pode chegar a 97.100 pontos ao fim de 2018. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O JP Morgan tem uma recomendação de compra para a Bolsa brasileira? Por quê?

No JP Morgan, gostamos de dizer que os investidores em mercados emergentes são turistas do crescimento. Temos observado que as economias emergentes têm crescido acima das dos países desenvolvidos. Onde entra o Brasil nisso? Entre todos os países emergentes, principalmente os mais relevantes, o Brasil está apresentando o maior delta de crescimento: o PIB cresceu 1% no ano passado e deve crescer 3% neste ano, que é a nossa estimativa. Essa diferença de 2 pontos torna o Brasil muito atraente em termos de investimentos. Comparando com outros mercados emergentes, a Bolsa brasileira oferece a maior perspectiva de crescimento de lucros das empresas.

Como as eleições presidenciais podem afetar a Bolsa ao longo deste ano?

A corrida presidencial pode afetar a Bolsa em particular pelo grande nível de incerteza. Não sabemos quem pode chegar ao segundo turno nem ao menos quem são os candidatos hoje. Mas uma mensagem importante é a seguinte: os investidores estrangeiros acreditam que as pessoas no Brasil já entenderam que as reformas são necessárias. E mesmo os principais candidatos têm, de uma forma ou de outra, uma plataforma reformista. Pode-se dizer que, obviamente levando em conta as diferenças entre os candidatos, de um jeito ou de outro, o resultado das eleições será um que estará no caminho das reformas.

O que vai pesar mais na Bolsa, o cenário externo ou fatores locais, como as eleições?

Até a metade do ano, no mínimo, as questões globais ainda vão ter um peso importante, exatamente por esse nível elevado de incertezas em torno das eleições presidenciais.

Em março, até o dia 20, os investidores estrangeiros já haviam retirado quase R$ 4,5 bilhões da Bolsa brasileira. Como explica isso?

Assim como a nossa recomendação para a Bolsa, os investidores estrangeiros estão com uma posição de compra ou “overweight” no Brasil, isto é, tem uma alocação maior do que recomendaria o índice. O que talvez esteja acontecendo é que os investidores estrangeiros talvez estejam retirando dinheiro do mercado ativo, isto é, de compras diretas de ações, como se pode observar nos dados reportados pela B3, porém estão com uma carteira mais balanceada, uma vez que estamos observando uma certa criação de ETFs. Não ameniza esse grande fluxo que estamos vendo de saída na B3, mas não acho que seja preocupante, pois estamos vendo um fluxo forte para fundos de mercados emergentes. Em 2018, já entraram US$ 41 bilhões em fundos de mercados emergentes. Em 2017, foram US$ 80 bilhões. O Brasil corresponde a 7,5% do índice de mercados emergentes. Então não é possível que dinheiro esteja entrando nos mercados emergentes e não chegue ao Brasil.

Nos últimos dias, o Ibovespa tem tido muita dificuldade de subir e superar a resistência dos 87 mil pontos. Mas após as reuniões de política monetária do Fed e do Copom, que foram favoráveis aos ativos de risco, até onde o Ibovespa pode chegar?

No JP Morgan, trabalhamos com bandas para a Bolsa. Aos 87 mil pontos, o Ibovespa está no cenário base (86.400 pontos) que traçamos em novembro passado. Jamais imaginei que em março a Bolsa já atingiria o nosso cenário base. O que aconteceu? O crescimento da economia mundial foi melhor que o esperado, levando a um aumento dos preços de commodities. E o Ibovespa tem um peso importante de commodities, mesmo comparado aos outros mercados emergentes. A Bolsa brasileira é a que tem maior peso de commodities no índice, mais do que a Rússia até. O nosso cenário otimista para o Ibovespa é de 97.100 pontos no fim deste ano. O pessimista é em torno de 65.300 pontos. Fazemos uma revisão dos nossos “targets” (alvos ou metas) duas vezes ao ano, em novembro e em junho, e acredito que teremos uma revisão para cima, exatamente pelo desempenho dos preços de commodities, os quais não estavam no nosso tabuleiro quando traçamos as expectativas para este ano.

Tudo indica que 2018 será um ano positivo em termos de desempenho da Bolsa. E para 2019? Sem aprovar a reforma da Previdência, é possível a Bolsa manter o fôlego de alta?

2019 será o ano da verdade para o Brasil. Precisamos ter alguém que venha e confirme que o País vai cuidar das suas contas fiscais. O que está em jogo nesta eleição é o Brasil poder manter esse ciclo de juros estruturalmente baixos. É normal se houver um aperto monetário de, digamos, 1 ou 2 pontos porcentuais, o que é normal no ciclo de negócios. O importante é não voltarmos a ter juros elevados como havia antes. Para isso acontecer, tem que mexer no fiscal. O Brasil não vai tolerar passar 2019 sem ter mudanças importantes na área fiscal. Por isso, a reforma da Previdência é essencial. Apesar de termos falado sobre ela em 2017 inteiro, puxamos esse tema para frente, entendo que não houve acordo político para sua votação num ano eleitoral, mas isso vai ser cobrado no dia seguinte à votação do segundo turno das eleições.

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