Quarta-feira

Governo quer reformular 'Minha Casa Minha Vida' e permitir que beneficiários escolham tipo de imóvel

O governo federal quer reformular o programa Minha Casa Minha Vida e permitir que os beneficiários definam o tipo de imóvel que será financiado. Hoje, quem financia uma casa pelo programa recebe um imóvel pronto da construtora. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Regional, a ideia é permitir também o financiamento da reforma de um imóvel que já existe ou, ainda, financiar a construção de um novo imóvel.

O novo formato do programa vai funcionar com base em vouchers, isto é, documentos que comprovem um pagamento, ou que deem direito a um produto ou serviço. Eles serão de três tipos: de compra, de reforma e de construção. O interessado no financiamento receberá um voucher e, a partir dele, poderá definir, por exemplo, o tipo de arquitetura do imóvel (tamanho, número de cômodos, acabamento) e o profissional de engenharia que tocará a obra.

Segundo o governo, a assistência técnica escolhida pelo beneficiário, isto é, os profissionais de engenharia e arquitetura, deverão ser credenciados pela Caixa Econômica que, por sua vez, ficará responsável por avaliar relatórios de comprovação de execução das obras, para então liberar os recursos.

Na avaliação do ministério, a nova sistemática permite que o verdadeiro dono da casa participe mais diretamente de todo o processo, com menos burocracia, menos intermediários - e isso reduz os custos administrativos envolvidos. O objetivo do governo é corrigir o que se considera uma falha do programa: o abandono pelas famílias dos conjuntos habitacionais localizados em áreas sem infraestrutura.

O cadastro das famílias a serem beneficiadas pelos vouchers será feito pelo governo federal através dos dados do CadÚnico, o Cadastro Único do Ministério da Cidadania, atualizado pelas prefeituras.  Ainda de acordo com o MDR, a prioridade vai para famílias que tenham filhos na primeira infância (até 3 anos) e que residam em ambientes “precários” e “indignos”.

 “O objetivo, com isso, é que o MDR possa ter uma visão nacional mais ampla e selecionar aquelas famílias que realmente precisam de um apoio do Governo Federal. Como é o caso das famílias que possuam filhos na primeira infância e residam em ambientes precários/indignos”, informou a pasta em nota ao GLOBO.

Ainda segundo a pasta, os vouchers serão direcionados a famílias que ganhem até R$1 200. Neste caso, não haverá taxa de juros. O MDR informa que os recursos nessa modalidade serão 100% da União, sem contrapartida dos beneficiários. O valor dos vouchers deve girar em torno de R$ 60 mil, mas vai depender dos preços praticados pelo mercado imobiliário em questão.

 Já para as famílias com renda entre R$ 1 200 e R$ 5 000, haverá cobrança de juros. As taxas deverão ser diferenciadas, e o MDR estuda percentuais entre 4% a 4,5% ao ano, abaixo das taxas praticadas hoje, em cerca de 5%.

O controle dos vouchers será feito por amostragem e, em caso de fraude, haverá punição tanto para o beneficiário quanto para o profissional que estiver tocando a obra. Entre as sanções previstas estão a devolução do dinheiro e a perda do registro profissional do engenheiro ou arquiteto em questão.

 Na nova fase, o governo vai priorizar municípios com até 50 mil habitantes. A expectativa é que 400 mil imóveis sejam construídos em 2020.

 

Com dados do 3º tri, economistas esperam crescimento superior a 1% em 2019

Os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira mostram a economia em aceleração gradual e permitem uma expectativa um pouco mais otimista em relação ao previsto até agora. Ao analisar os dados do terceiro trimestre e as revisões de trimestres anteriores do Produto Interno Bruto (PIB), economistas passaram a prever um crescimento superior a 1% em 2019.

A economia avançou 0,6% no período entre julho e setembro na comparação com os três meses anteriores, desempenho superior à mediana das projeções de 35 consultorias e instituições financeiras ouvidos pelo Valor Data, de crescimento de 0,4%. As revisões de dados passados também mostraram uma fotografia melhor em 2018, de 1,1% para 1,3%.

Ao justificar a decisão, o Citi Brasil cita o desempenho mais forte da economia brasileira no terceiro trimestre, a revisão para cima da série do PIB e as perspectivas daqui para frente. O banco esperava um crescimento de 0,3% em relação ao segundo trimestre, mas a expansão foi de 0,6%. “Olhando para frente, o ciclo de relaxamento monetário, combinado com a liberação dos recursos do FGTS, deve garantir expansões robustas no quarto trimestre de 2019 e no primeiro trimestre de 2020”, diz a nota do Citi Brasil.

O banco ressalta que a Selic deve fechar o ano em 4,5% ao ano – está hoje em 5% - e que os saques das contas do FGTS devem equivaler a R$ 42 bilhões, ou 0,6% do PIB, até o começo do ano que vem. Os dois fatores vão continuar a apoiar um crescimento mais forte da demanda doméstica, especialmente o consumo das famílias e as vendas no varejo, compensando os sinais crescentes de contribuições negativas da demanda externa, observam os economistas do Citi Brasil.

Ao analisar o resultado do terceiro trimestre, o banco destaca que a expansão do investimento, de 2% em relação ao trimestre anterior, e do consumo das famílias, de 0,8%, foram os principais motores do crescimento.

Para Luka Barbosa, economista do Itaú Unibanco, os dados do terceiro trimestre mostram a economia acelerando de forma gradual e “saudável, sem estímulo fiscal”. Se o PIB do quarto trimestre crescer 0,7% como estimado pelo Itaú o número do ano deve chegar a um aumento de 1,2%, ante 1% previsto atualmente. Por enquanto, a instituição não vai alterar a projeção para 2019.

“Há poucos dados sobre o quarto trimestre disponíveis”, diz. No quarto trimestre, o PIB deve ter um impulso maior do consumo das famílias e do investimento, este via construção imobiliária. Os dados positivos da Black Friday mostram que a liberação do FGTS surtiu efeito na demanda neste fim de ano e, na construção, as concessões de crédito imobiliário têm fôlego para aumentar, diz o economista.

“As concessões começaram a crescer agora e a inadimplência se mantém baixa. Há espaço razoável para o crédito crescer, tanto em termos estruturais quanto cíclicos”, considera. O crescimento da construção também afetou positivamente o PIB pelo lado da demanda, já que contribuiu para o aumento de 2% na formação bruta de capital fixo, medida de investimentos, na série com ajuste sazonal.

Há restrições, contudo, a uma aceleração maior da economia à frente. Uma delas é justamente a outra parte da construção: as obras de infraestrutura, que seguem estagnadas. Assim, tanto investimento quanto a própria construção não devem dar um salto nos próximos trimestres, embora a perspectiva seja de crescimento. Um mapeamento feito pelo Itaú sobre as concessões de infraestrutura já realizadas pelo governo mostra que elas terão um impacto de 0,1% no PIB de 2020 e de 0,3% ponto em 2021 e em 2022, já considerando as estimativas para o efeito multiplicador do investimento no PIB.

Assim, pode-se contar com algum impulso positivo para a atividade econômica em 2021 e 2022, mas moderado, observa o economista. A indústria de transformação que veio mais uma vez negativa no PIB do terceiro trimestre também não deve dar grandes saltos. Para haver um crescimento mais substancial da transformação o investimento tem que reagir além do que é visto hoje. “Este é o componente da demanda mais importante para a indústria”, afirma Barbosa.

“Temos um cenário em que o setor cresce um pouco mais em 2020”, diz. O setor também não deve se beneficiar de um dólar mais alto via exportações. “Não achamos que o mundo vai entrar em recessão, mas não deve haver um crescimento forte na demanda global. Se por algum motivo, difícil de ver agora, tivermos um alivio na guerra comercial, voltaremos a ter um crescimento global, mas não é nosso cenário”. O Itaú Unibanco estima crescimento de 2,2% em 2020.

Melhora na composição Os desempenhos da construção civil, do comércio e do consumo das famílias no terceiro trimestre fizeram o Santander enxergar uma composição mais animadora para o PIB brasileiro. A projeção para 2019 foi revisada de 0,8% para 1,2%. Embora tenha desacelerado em relação ao período de abril a junho (+2,4%), a construção registrou o segundo trimestre seguido de alta (+1,3%) e veio acima da expectativa de 0,7% do Santander.

"É um setor muito sensível a taxas de juros, sejam para financiar o empresário ou o consumidor, e vemos que a política monetária estimulativa começa a ter reflexo", diz Lucas Nobrega, economista do Santander. Segundo ele, foram "dois trimestres de crescimento robusto" que deixam bons sinais principalmente em relação ao próximo ano, porque "o setor deverá ser fundamental para a aceleração econômica", afirma.

Nobrega ressalta, no entanto, o tom de cautela. "Já houve trimestre bom e que depois devolveu a melhora. Acho que dá para dizer que o pior [para a construção civil] já passou, mas cabe destacar que o setor caiu 30% durante a recessão." Além da construção, Nóbrega destaca o desempenho do setor de serviços, que avançou 1%, e chama a atenção para a alta de 2,4% no comércio. "Esse é outro setor que, na nossa opinião, assim como a construção civil, pode dar uma boa sinalização para o próximo ano", afirma.

Por enquanto, o Santander mantém sua projeção de alta de 2% para o PIB de 2020, porém acrescenta um viés positivo. A dúvida para o comércio, segundo ele, é se parte do efeito da liberação de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), iniciada em setembro, sobre o consumo no último trimestre do ano tenha sido antecipada para o terceiro. Nobrega conclui que a absorção doméstica dá bons sinais, com o consumo das famílias acelerando (de 0,2% no segundo trimestre para 0,8% agora), bem como crescimento dos investimentos (2%), enquanto os gastos do governo caem (-0,4%) em meio à restrição fiscal.

O ponto de atenção, segundo ele, é o setor externo, já que a queda nas exportações (-2,8%) combinada à alta nas importações (+2,9%) tirou 0,8 ponto percentual do PIB do terceiro trimestre. "A guerra comercial e as questões latinoamericanas não geram expectativas para o próximo ano, o setor externo deve continuar contribuindo negativamente", afirma. 2020 Os analistas também já enxergam um desempenho melhor no próximo ano.

O Goldman Sachs elevou de 2,2% para 2,3% a expectativa, acrescentando que a aceleração deve ser apoiada em um impulso mais firme no crédito, acomodação adicional das condições monetárias e financeiras, leve fortalecimento da confiança de consumidores e empresas e melhoria gradual do mercado de trabalho. Embora não tenha ainda ajustado a sua previsão, o Banco Inter acredita num dado melhor do que o apresentado até agora para 2020, de 2,5%.

“Mas já antevemos que [o crescimento em 2020] pode chegar a 3%, dependendo da contribuição do setor externo, que ainda tem sinais de moderação e vem coibindo uma expansão mais significativa das exportações”, diz o boletim do banco.

Para o Bank of America Merrill Lynch (BofA), o resultado do terceiro trimestre cria um colchão mais firme para expectativas de aceleração da economia em 2020. "O que esse resultado faz é dar conforto de que o crescimento do PIB vai mais do que dobrar no ano que vem. É uma notícia positiva e que claramente acaba animando o investidor que esperava um dado mais otimista na atividade", afirma.

O BofA já estimava um crescimento de 2,4% para o PIB de 2020, número que, segundo Becker, está bem calibrado. "O que imaginamos para o próximo ano é a continuidade da melhora gradual do mercado de trabalho e da confiança, um conforto por parte dos bancos para aumentar as carteiras de empréstimo e também de captações das empresas no mercado financeiro, seja por ações ou na parte de dívida", diz.

Já o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, vê contágio do cenário externo mais conturbado, o que explica a manutenção da expectativa em 1,6% para 2020. “A possibilidade de recessão nos EUA não está descartada, especialmente com o presidente Trump sinalizando que manterá a guerra comercial à toda”, disse Vale.

Sem recessão nos EUA, num cenário de acomodação do crescimento da economia global, é possível que o PIB brasileiro aumente 2% no próximo ano, ou até mais, avalia o economista. “Recuperação maior tende a vir a partir de 2021, com a maturação das reformas em andamento”, diz o economista-chefe da MB, que trabalha com crescimento de 2,8% daqui dois anos.

 

PIB do Brasil anima, mas exterior pesa no mercado

A surpresa positiva com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre animou a demanda por ativos brasileiros logo no começo do dia. O dólar chegou a cair abaixo de R$ 4,20, enquanto o Ibovespa ensaiou um avanço mais firme durante a sessão. No entanto, as infindáveis tensões comerciais entre China e Estados Unidos continuam exercendo pressão nos mercados de todo o mundo e limitaram os ganhos por aqui.

Dessa forma, o Ibovespa terminou a sessão praticamente estável, em alta marginal de 0,03%, aos 108.956 pontos - com alguma distância para a máxima no dia, de 109.198 pontos. No pior momento, o Ibovespa caiu aos 108.190 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 12,97 bilhões, em linha com a média diária negociada nos pregões de 2019. Num caminho bem parecido, o dólar, que chegou a se aproximar dos R$ 4,17 no início da tarde, acabou devolvendo a maior parte da queda nas horas finais de negociação e encerrou aos R$ 4,2051, com leve recuo de 0,18%. Ainda assim, o novo respiro no câmbio abriu espaço para queda dos juros futuros. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 recuou de 6,56% para 6,47%.

O bom desempenho dos ativos locais foi prejudicado ontem pelo vaivém nas negociações comerciais entre as maiores economias do mundo. O presidente americano, Donald Trump, indicou que não se oporia a esperar o desfecho da eleição presidencial de 2020 para retomar as negociações com a China, o que derrubou as bolsas americanas. “Se não houver acordo, os EUA vão continuar a introduzir tarifas sobre produtos chineses. Esse risco de médio prazo levará analistas a trabalharem com um cenário de continuidade da escalada das tensões, o que seria danoso para a economia mundial”, diz o estrategista-chefe do banco Mizuho no Brasil, Luciano Rostagno.

O fluxo vendedor na bolsa de valores se reforçou em alguns ativos de peso no Ibovespa, caso de Petrobras (-0,29% a ON e -0,31% a PN) e também do setor de commodities metálicas, com CSN ON (-3,77%) e Vale ON (-1,79%) nos destaques. Essas baixas foram equilibradas pelo desempenho favorável de alguns bancos, como Banco do Brasil (2,02%).

Já algumas ações ligadas diretamente ao desempenho da atividade brasileira, que vem demorando para esboçar uma reação mais vigorosa, oscilaram em alta após o crescimento acima do esperado do PIB do país no terceiro trimestre - MRV (7,16%), Gol PN (4,01%), Cyrela (2,33%) e Via Varejo (3,60%) ficaram entre os maiores ganhos do dia. O PIB do Brasil cresceu 0,6% em relação ao segundo trimestre e 1,2% ante igual intervalo em 2018.

A expansão trimestral superou a mediana de 0,4% dos analistas consultados pelo Valor Data. Além disso, houve revisão positiva também para os números de 2018 e dos dois primeiros trimestres de 2019. A surpresa com o resultado do PIB levou grandes instituições financeiras a revisarem suas projeções para o crescimento da economia.

O Goldman Sachs trabalha agora com expansão de 1,2% este ano e de 2,3% em 2020 ante estimativas de 1,0% e 2,2% anteriormente. Já os economistas do Citi elevaram a projeção para o PIB de 2019 de 0,7% para 1,1% e projetam crescimento de 2,2% no próximo ano (de 1,8% antes).

2020, refletindo não apenas os efeitos defasados do ciclo de flexibilização monetária (taxa Selic a 4,50% no fim do ano), mas também os efeitos temporários da liberação do FGTS”, afirmam os economistas do Citi, em relatório enviado a clientes.

 

 ‘Câmbio ainda não atrapalha Selic’

O cenário para a inflação segue benigno, apesar das recentes pressões decorrentes do reajuste dos preços da carne e do câmbio mais desvalorizado, segundo Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco. Para o especialista, o comportamento do núcleo ainda aponta para uma trajetória abaixo da meta, enquanto o dólar, até o nível de R$ 4,50, não deve atrapalhar o plano do Banco Central (BC) de mais flexibilização monetária. “O nível de câmbio que influenciaria o corte de juros está mais para R$ 4,50 do que para R$ 4,00. Não é o que estamos projetando, mas de certa forma esse seria o limite de tolerância”, disse Mesquita, ao participar de coletiva de imprensa com a diretoria do Itaú BBA.

O Itaú espera mais uma redução da Selic em dezembro, de 0,5 ponto percentual, para 4,5% ao ano, e talvez dois cortes menores no início de 2020. Mesquita considera que, com o menor peso do crédito subsidiado na economia, a atividade responda de forma mais eficaz às ações de política monetária, trazendo um pouco mais de tração para a economia a partir do ano que vem. O PIB de 0,6% no terceiro trimestre divulgado nesta terça-feira pode levar o banco a fazer uma revisão para cima da projeção de crescimento neste ano, de 1% para 1,2%. As estimativas são de uma expansão econômica da ordem de 2% em 2020, chegando perto de 3% em 2021.

O economista-chefe do Itaú Unibanco disse que os números do PIB apontam dois trimestres seguidos de expansão de investimentos. São dados que incluem a ampliação da capacidade de algumas empresas e também a retomada de projetos imobiliários e de infraestrutura, setores mais sensíveis a políticas de recuperação econômica. “O crédito vem se recuperando, e o consumo também. A demanda doméstica tem sido um fator de resiliência”, afirmou Mesquita. O cenário lá fora poderia ser um risco, este ano “o vento não soprou a favor”, mas Mesquita lembrou que a economia brasileira não é tão aberta assim.

O economista chamou atenção ainda para a expectativa de recuperação do emprego formal, de melhor qualidade e que também afeta a renda e contribui para a melhora do quadro fiscal. “O mercado de trabalho é o último a piorar e o último a melhorar também. [A trajetória atual] não está fora do padrão do ciclo brasileiro”, disse Mesquita, referindo à alta taxa de desemprego que persiste na economia.

Mesquita disse ver a Selic baixa por razões conjunturais e estruturais. Sob o aspecto macro, há grande margem de ociosidade na economia, com a taxa de desemprego em 12%, uma capacidade que vai sendo ocupada gradualmente. Estruturalmente, a mudança na política fiscal e parafiscal, com a diminuição do gasto público, possibilita que a economia funcione com taxas de juros menores. “A redução tem permitido o florescimento do mercado de capitais”, afirmou.

Caio David, presidente do Itaú BBA, disse que tem visto uma procura relevante de recursos para financiar projetos, em setores como o de construção civil, em algumas capitais, e no agronegócio. “Há um redesenho da expansão. A gente vê setores muito mais ativos que podem dar sustentabilidade a um crescimento mais forte.” A expansão das vendas na “Black Friday” é um dos sinais de recuperação da atividade econômica, segundo Flávio Souza, diretor do banco comercial do Itaú BBA.

Segundo o executivo, as emissões de boletos de cobrança tiveram elevação de 65% neste fim de semana, em comparação ao mesmo período do ano passado. As transações capturadas nas lojas físicas subiram 27% na comparação ano contra ano, enquanto as vendas no comércio eletrônico tiveram incremento na casa dos 100%.

 

FOLHA

Para economistas, PIB ficará acima de 2% no ano que vem

Os dados do PIB (Produto Interno Bruto) no terceiro trimestre e as revisões para cima nos números dos 18 meses anteriores confirmam a expectativa de uma economia um pouco mais dinâmica neste segundo semestre de 2019 e em 2020, segundo analistas ouvidos pela Folha.

"Um crescimento acima de 2% no ano que vem já é factível, pois temos uma melhora na recuperação", diz o economista Affonso Celso Pastore, da consultoria AC Pastore.

Ele reforça que a retomada segue puxada pelo consumo das famílias e pela volta, ainda que lenta, do investimento privado doméstico –que historicamente foi o grosso do investimento privado no país– e sem perspectiva de investimentos públicos para os próximos dois anos.

Solange Srour, economista-chefe da ARX e colunista da Folha, destaca que o investimento pelo lado da demanda é a boa surpresa. "Vem forte pelo segundo trimestre, puxado pela construção civil, retomando com mais força em São Paulo. Esperamos que se espalhe pelo Brasil."

Apesar de a liberação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) contribuir para um resultado melhor, outro destaque é que o PIB cresce por força da atuação do setor privado, sem os grandes estímulos fiscais do governo.

"O consumo das famílias foi bastante forte, em parte pelo FGTS liberado em setembro e em parte pela melhora do crédito e pela inflação em baixa. O impacto deve ficar maior para o quarto trimestre", diz Srour.

Ela projeta que o PIB de 2019 deva fechar em 1,1% ou 1,2% e ficar 2,5% no ano que vem.

Segundo o economista Luka Barbosa, do Itaú-Unibanco, já está no radar a projeção de um crescimento de 0,7% no PIB do último trimestre, que pode levar o PIB deste ano a 1,2% e dar um impulso inicial para que em 2020, quando as condições tendem a ser melhores, haja expansão de 2,2%.

"A economia está indo de um ritmo de 1,5% para o de 2%. Não está mais estagnada. É uma aceleração gradual e bastante saudável, com crescimento de crédito privado, para consumidores e empresas, sem estímulos fiscais, o que seria insustentável", diz.

O economista afirma que a recuperação não é motivo suficiente para gerar riscos inflacionários nem para abortar o ciclo de queda da taxa básica de juros, que está em 5% ao ano e deve cair para 4% ao ano após mais três cortes, de acordo com Barbosa.

"Você continua com um quadro de bastante capacidade ociosa, desemprego elevado e inflação baixa, apesar do efeito de alta nos preços da carne, que é temporário."

José Ronaldo Souza Júnior, diretor do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), compartilha da mesma leitura e trabalha com a projeção de um PIB acima de 2% para o ano que vem.

"Estamos revendo as projeções, mas o que dá para dizer é que no quarto trimestre de 2019 deve ocorrer um crescimento maior, e, para o ano que vem, estamos projetando um número acima de 2%."

Como o resultado do terceiro trimestre, Luca Klein, analista da 4E Consultoria, tem projeções mais otimistas.

"Revisamos o PIB do quarto trimestre de 0,6% para 0,8%, influenciado pelos melhores fundamentos do consumo aliado aos impactos da liberação do FGTS. Logo, a projeção do PIB de 2019 subiu de 0,9% para 1,3%, mesmo crescimento registrado em 2017 e 2018. Para 2020, projetamos o PIB em 2,8%, ligeiramente mais alto que o cenário anterior, de 2,7%."

Juliana Trece, pesquisadora do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), afirma que o resultado do terceiro trimestre veio acima da projeção de 0,4%.

"A construção surpreendeu bastante, não estávamos esperando esse crescimento todo, e parece que é um crescimento mais robusto. Os serviços continuaram crescendo desde que a gente saiu da recessão."

As projeções do economista Thiago Xavier, da Tendências Consultoria Integrada, são parecidas: 1,2% para este ano e 2% para 2020. "O quarto trimestre deste ano deve ser o melhor, com a liberação do FGTS e o 13º do Bolsa Família incentivando o consumo", diz Xavier. "Nossa expectativa para o ano que vem é que que a economia acelere."

A previsão é que esse consumo comece a produzir efeito mais forte na indústria.

Segundo José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), a indústria de transformação, que gera mais vagas e de maior qualidade (formais e com salários mais altos), ainda está aquém, mas a retomada do consumo deve ajudar a reduzir a ociosidade e motivar investimentos.

Roriz também cita uma série de incertezas em relação ao futuro do país, como a indefinição sobre qual será o novo sistema tributário e a preocupação de investidores estrangeiros em relação aos protestos que atingem outros países da América do Sul.

"O investidor estrangeiro também está muito preocupado com a região e prefere ficar na espera para ver o que acontece. O Brasil tem de se diferenciar dos países que estão tendo problemas e conseguir um crescimento econômico atrelado ao social", diz.

 O Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) tem a avaliação de que a economia conseguiu crescer no terceiro trimestre em uma velocidade muito próxima da que vinha apresentando depois dos percalços enfrentados na entrada do ano, mas ainda não é possível falar em aceleração.

O PIB cresceu 1% nos três primeiros trimestres do ano, menos que o 1,3% registrado em 2018 até o terceiro trimestre. "Nesse ritmo, continuamos com muito chão pela frente para que o PIB volte a níveis anteriores à crise 2015-2016", diz análise do instituto.

Nessa comparação, diz o Iedi, do lado da oferta, apenas a agropecuária cresceu mais no acumulado de 2019 (+1,4%) do que em igual período do ano passado (+0,6%).

A indústria de transformação, que produz bens mais complexos e intensos em tecnologia e possui uma cadeia mais longa de produção, voltou a ficar no vermelho em todas as comparações e está 15,7% abaixo do pico histórico, obtido no terceiro trimestre de 2008.

 

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