Quinta-feira

VALOR

Guedes fala em tributar transações feitas pelo celular

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que só há uma forma de desonerar a folha de pagamentos: "encontrar fonte alternativa, uma base alternativa de tributação." A tributação sobre transações seria uma ideia, disse ele, embora admita a resistência sobre a recriação da CPMF. "Sempre consideramos que para desonerar a folha de pagamentos precisávamos de tributo sobre transações", afirmou.

"CPMF virou um negócio maldito, então acabou-se," disse. Segundo ele, a nova cobrança não seria exatamente a CPMF, mas uma tributação sobre transações que pegaria, por exemplo, pagamentos feitos por celular. "Precisamos tributar transações digitais, precisa de algum imposto para isso", disse. "Estamos procurando essa base." O ministro deu a entender que o IVA, em discussão no Congresso, dificilmente será uma fonte de financiamento para a desoneração. Isso porque a alíquota estimada é de 25%. "O comércio não aguenta", afirmou.

A tributação sobre a folha, disse o ministro, é uma "arma de destruição em massa" dos empregos. E que tem como efeito colateral o impacto nas contas da previdência, dada a quantidade de pessoas que hoje estão na informalidade e, por isso, não contribuem. "Ou deixamos entrarem e colaborarem, ou vamos buscar outros impostos", disse.

Salário mínimo entre R$ 1.038 ou R$ 1.039 Guedes afirmou que o governo não tem como formalizar uma política do salário mínimo para dois ou três anos, mas que será garantido o poder de compra dos brasileiros. O reajuste do minimo previsto para 2020 não terá prevê aumento real. “Nossa política salarial não fixa previamente o aumento de salários”, disse. Segundo o ministro, a política salarial do governo, “ao contrário da demagogia ou arrocho”, é ser a favor de livres negociações salariais.

Até 2019, a política de reajuste do salário mínimo considerava a variação do INPC dos últimos 12 meses e o crescimento econômico dos dois anos anteriores. Guedes chegou a dar entender a possibilidade de conceder um reajuste real do salário mínimo de algo em torno de “1%, 2%” no ano que vem.“Enquanto tivermos tempo, estaremos avaliando”, afirmou. Na sequência, alegou dificuldades do quadro fiscal. Ele disse que a MP 905, que prevê o Programa Verde Amarelo, prevê a desoneração da folha. Mas, conforme complementou o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, enfrenta dificuldade para ter fonte de financiamento.

O governo propôs a taxação do seguro-desemprego, mas o Congresso Nacional resiste em aprovar essa alternativa. O ministro destacou que o reajuste do salário mínimo vai depender do comportamento do INPC. O orçamento de 2020 foi aprovado um salário mínimo de R$ 1.031, mas segundo Guedes, deve ficar entre R$ 1.038 ou R$ 1.039 porque o INPC “repicou”. “Não somos obrigados a dar [estabelecer uma política de salário mínimo] três anos à frente. Do ano seguinte, é isso.

O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, ressaltou que o “zelo da política fiscal é que permite que tenhamos mercado de trabalho reagindo”. Questionado várias vezes sobre se o governo abandonou a política do salário mínimo, Guedes disse que uma política de salário mínimo pressupõe “saber tudo que está acontecendo”.

Por isso, o que será preservado é o poder de compra do salário mínimo. Ele destacou ter o receio de alimentar a máquina do desemprego ou fazer algo que dificulte a criação de postos de trabalho ao dar um aumento acima da inflação para o salário mínimo. O ministro disse que é preciso resolver a questão fiscal para reduzir o custo do emprego para as empresas. “Se conseguirmos desonerar a folha, esperamos que o custo de contratação caia e os salários subam”, destacou.

“Não fazemos demagogia, fingir que aumentou salário e joga um monte de gente no desemprego”, destacou. Ao falar sobre política do salário mínimo, Guedes ainda criticou a política salarial do servidor público, que, na avaliação dele, foi ruim para o país. “A política salarial de funcionalismo não foi boa para o Brasil.” “Nosso tratamento é diferente”, frisou, acrescentando que não acha correto a discrepância de salários entre o que é pago para o servidor público e o trabalhador da iniciativa privada. "Bolsonaro não impôs metas para o PIB"

Segundo Guedes, Jair Bolsonaro não estabeleceu metas para o crescimento ou para o emprego. "O presidente tem bom senso com a economia e diz que prefere não dar muito palpite", disse. "Ele se mostra feliz com expectativa de crescer 2,5% ano que vem." Quanto mais reformas, mais rápido vamos crescer, acrescentou.

Guedes ressaltou que neste ano foram gerados R$ 1,2 milhão de empregos e o processo está acelerando. "Ele está satisfeito, otimista", disse. Programas sociais Guedes afirmou que o governo vai anunciar alguns programas sociais de maior impacto. “Não se iluda. A solução é o fortalecimento da federação”, disse.

Ele citou que um programa que deverá ser lançado é o voucher para a creche, ressaltando que os investimentos públicos devem ser maiores na infância. “Vem ai programas grandes de impacto lá em baixo”. Segundo ele, o governo, com o Pacto Federativo, vai transferir R$ 450 bilhões para que sejam atendidas promessas, como feita na campanha do presidente Jair Bolsonaro, de elevar os investimentos em segurança, saúde e educação.

Sobre Educação, Guedes disse que o que ouve é que os recursos são muito concentrados no ensino superior e que o foco deve ser a infância. “Achamos que recursos tem que ir lá para baixo. O povo vive lá em baixo cada um em seu município”, complementa. Ano eleitoral Guedes disse que o grande volume de propostas de emenda à Constituição (PEC) tramitando ao mesmo tempo no Congresso no ano que vem não deve atrapalhar o andamento da agenda.

Admitiu, no entanto, que o calendário deve ser apertado pelo ano eleitoral. “Todo mundo sabe que maio, junho é o fim de 2020”, disse. Além das três PECs que compõem o pacto federativo, devem tramitar no ano que vem as reformas tributária e administrativa. Para Guedes, a PEC dos fundos é a que pode ter uma tramitação mais lenta. Sobre o orçamento impositivo, o ministro disse que “nas principais democracias do mundo” esse é o sistema. “Não é dinheiro carimbado, é a classe política recuperando o controle que tirou dela mesma.” “Não temos que ter medo de mudanças, vamos desenhar esse novo modelo com orçamento impositivo.”

Guedes afirmou que ministros não devem se preocupar com popularidade e sim os políticos. Ele respondia a questionamento sobre que pesquisas mostravam que ele não era popular entre os mais pobres.

“Não sou um ministro da área social. Quem tem que ficar popular é prefeito e governo”, afirmou. “A popularidade é importante para a classe política. Ministro está preocupado em fazer um bom trabalho e isso traz popularidade para todos que estão no barco”, afirmou, citando possibilidade de Bolsonaro tentar a reeleição. Na avaliação do ministro, o importante para ele é o esclarecimento da população com relação às reformas. “Talvez o FGTS tenha me tornado um ministro mais conhecido. Me surpreende eu ter alguma popularidade ampla.”

 

Com otimismo sobre Brasil, Ibovespa bate marca inédita de 114 mil pontos

A visão positiva relacionada ao crescimento da economia brasileira em 2020 e a calmaria no exterior tiveram efeitos amplificados na bolsa durante período da tarde, por causa de declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, e pelo vencimento de opções sobre o índice. Assim, o Ibovespa fechou com valorização de 1,51%, aos 114.315 pontos, após ajustes.

O principal índice da bolsa caminhava de lado pela manhã, quando atingiu a mínima de 112.300 pontos, pela falta de um catalisador que impulsionasse o movimento de compra. Por volta das 15h, a bolsa ganhou impulso com a formação de preço do vencimento de opções sobre o índice e alcançou a máxima de 114.339 pontos com as declarações de Guedes.

Entre os destaques positivos da fala do ministro, segundo profissionais do mercado, está a de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de, no mínimo, 2%, em 2020, de que deseja “vender todas as estatais” e, ainda, sobre a reforma tributária. Segundo ele, a equipe econômica já tem a proposta pronta.

No cenário externo, um profissional do mercado, que preferiu não ser identificado, chamou atenção para a alta da bolsa na Argentina, de 1,90%, e do EEM, maior fundo de índice (ETF) de ações de países emergentes de Wall Street, que subiu 0,54%. Isso mostra um certo apetite pelos emergentes e, consequentemente, pela bolsa.

Outro ponto que reforça a visão de que o dia foi de compra local é o volume financeiro, no total de R$ 22,9 bilhões, terceiro maior giro de 2019 e bem superior à média diária no ano, de R$ 12,6 bilhões, sendo liderado pelas ações de maior peso no índice. Petrobras PN somou R$ 1,94 bilhão, Bradesco PN (R$ 1,73 bilhão), Itaú Unibanco PN (R$ 1,47 bilhão) e Vale ON somou R$ 1,22 bilhão. Na ponta negativa do Ibovespa, alguns papéis recuaram por motivos próprios. Marfrig ON caiu 4,21%, a R$ 10,25, após oferta de ações.

O BNDES vendeu sua posição total de 209,6 milhões de ações, a R$ 10,00 cada, somando R$ 2,1 bilhões. Já a oferta primária, no qual os recursos da emissão vão para o caixa da empresa, movimentou R$ 900,9 milhões. Aqui, os novos papéis passam a ser negociados a partir de amanhã e há diluição de acionistas que não exerceram prioridade na subscrição. Eletrobras PNB recuou 2,95% e a ON teve baixa de 1,50%, refletindo preocupações com o processo de privatização.

 

Analistas preveem queda do dólar no mercado global no ano que vem

A corrida das previsões dos bancos de investimento para o mercado em 2020 está quase no fim e muitos concordam em um ponto: o dólar caminha para uma pequena queda. Deustche Bank, Goldman Sachs e Bank of New York Mellon concordam que após uma década irregular de ganhos, o dólar terá uma queda no ano que vem com a redução das preocupações com o crescimento da economia mundial, estimulando a demanda por ativos mais arriscados ao mesmo tempo em que o Fed sinaliza a manutenção ou mesmo o corte das taxas de juros.

A BlackRock concorda, prevendo uma pequena desvalorização do dólar no primeiro semestre do ano. Economistas do Citigroup também acreditam que a decisão do Federal Reserve de manter as taxas de juros, ou mesmo cortá-las, poderá ser o catalisador da fraqueza do dólar no ano que vem, na medida em que a recompensa pela posse da moeda for corroída pelos juros mais baixos nos EUA.

A previsão de consenso para o fim de 2020 é que o euro será negociado a US$ 1,16, em relação à cotação atual de US$ 1,11. Mesmo assim, previsões parecidas feitas nos anos anteriores mostraram-se inexatas. As convicções em que os analistas apoiam seus pontos de vistas também são impressionantes demais para servir de conforto para alguém.

Andreas Koenig, diretor global de câmbio e gerente de ativos da Amundi, diz que todas as reuniões que ele teve com analistas sobre as perspectivas para o ano que vem chegaram à conclusão de que a moeda vai perder valor em relação à sua principal contraparte, o euro. O peso da expectativa significa que ele “ficaria muito surpreso se esse consenso se confirmar”, disse Koenig.

Para ele, mesmo depois de três cortes nos juros nos EUA neste ano, a taxa referencial de 1,75% é simplesmente interessante demais quando outras grandes economias apresentam taxas de juros negativas. “Tenho poucos incentivos para mudar”, acrescentou ele. Fazer previsões para o ano que se aproxima é uma das principais tarefas dos analistas, uma vez que tanto clientes como investidores e empresas sempre as usam como diretrizes. Mas um ano é muito tempo nos mercados, e muita coisa pode dar errado.

Para 2020, o destino do dólar dependerá do crescimento da economia mundial e dos acontecimentos na guerra comercial entre EUA e China. Quando o sentimento dos investidores é amplamente positivo, a moeda americana tende a cair, uma vez que os investidores sentem-se seguros em mudar para ativos mais arriscados, como os dos mercados emergentes.

Por outro lado, as preocupações com a desaceleração do crescimento mundial e o impacto das tensões comerciais levaram muitos a buscar a segurança do dólar neste ano: em vez de cair, conforme muitos previam, o índice do dólar do J.P. Morgan subiu 1,25%. Mesmo assim, analistas acham que desta vez será diferente.

O Goldman Sachs espera ver uma ligeira desvalorização do dólar e prevê que o euro estará sendo negociado a US$ 1,15 no fim do ano. Para uma queda maior do dólar, a recuperação econômica da zona do euro teria de melhorar, o Fed cortar mais os juros e as tarifas impostas sobre produtos da China teriam de ser reduzidas, segundo afirmaram analistas do banco.

Os analistas do Deutsche Bank concordam, com base na expectativa de que o crescimento global vai melhorar um pouco no ano que vem. “A próxima grande movimentação favorece a fraqueza do dólar, mas o momento é delicado”, disseram os analistas do banco em nota, prevendo que o euro estará sendo negociado a US$ 1,20 no fim de 2020.

Em 2019, a economia mundial deverá apresentar um crescimento de 2,5%, conduzido em grande parte pelo desempenho superior da economia dos EUA. Mas com o crescimento americano se aproximando de uma “perda de velocidade”, segundo Paul Meggyesi, um analista sênior do J.P. Morgan Chase, é difícil imaginar o que substituiria os EUA como motor do crescimento global. “Os investidores vão olhar por sobre os ombros em busca de uma recessão”, afirmou o analistas.

O J.P. Morgan prevê que o euro estará sendo negociado a US$ 1,14 no fim de 2020. Além do dólar, analistas descrevem o câmbio como um “stockpicker’s market”, em que os investidores buscam histórias de curto prazo em torno de moedas menores com altos rendimentos, ou condutores domésticos fracos. No ambiente dos baixos rendimentos, as moedas com taxas relativamente altas, como os dólares do Canadá e da Nova Zelândia, continuarão atraindo interesse.

Quanto à libra esterlina, a expectativa ampla é de alta, mas somente se o panorama político ficar mais claro. Mas com as taxas dos Estados Unidos ainda superando as de outras grandes economias, há um forte incentivo para se manter dólares, especialmente para os investidores estrangeiros.

Andrew Fisher, diretor de alocação de ativos do fundo de pensão Sunsuper, diz que para os investidores australianos o dólar americano quase parece bom demais para ser verdade: um investimento que oferece retornos positivos, além de proteção em períodos problemáticos induz a um certo ceticismo. “E, mesmo assim, é exatamente dessa forma que o dólar americano se parece para um investidor australiano no momento”, acrescenta ele.

Nos mercados emergentes, investidores e analistas têm grandes esperanças no real brasileiro, outra moeda que atingiu patamares históricos de baixa neste ano. Estrategistas do ING afirmam que o “real poderá oferecer uma das melhores histórias de 2020” depois das reformas fiscais, uma retomada do crescimento e uma melhor avaliação global dos riscos oferecidos pelo país aos investidores, juntamente com taxas de juros relativamente altas, o que deverá levar a uma recuperação da moeda. O real poderá subir 10% em relação ao dólar até o fim de 2020, segundo o ING.

 

Juros futuros fecham em baixa com foco na agenda de reformas

Os juros futuros encerraram a sessão regular desta quarta-feira (18) em queda, num ajuste de posições após o forte avanço das taxas futuras na terça (17), quando predominou uma leitura mais conservadora da ata da reunião de semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O andamento da agenda de reformas também foi acompanhado pelos investidores e ajudou na redução de prêmio de risco hoje, enquanto dados de inflação acima do esperado foram apenas monitorados e não chegaram a influenciar os negócios.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 cedeu de 4,65%, no ajuste anterior, para 4,61%; a do DI para janeiro de 2022 recuou de 5,42% para 5,35%; a do contrato para janeiro de 2023 passou de 5,99% para 5,92% e a do DI para janeiro de 2025 caiu de 6,60% para 6,55%. O otimismo dos agentes do mercado com a perspectiva de andamento da agenda de reformas econômicas foi renovado nesta quarta-feira.

Ainda pela manhã, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a comissão mista que analisará a reforma tributária contará com 15 deputados e 15 senadores e funcionará durante o recesso parlamentar. “É importante que possamos ter ainda no primeiro semestre de 2020 um novo sistema tributário”, disse. Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a proposta tributária do governo será encaminhada direto para a comissão mista para ser incorporada aos textos que já existem.

“É uma tolice mandar outra PEC para tumultuar o jogo”, afirmou Guedes durante entrevista coletiva, na qual fez um balanço sobre o ano de 2019 e falou sobre as metas para 2020. Com o andamento da agenda de reformas de volta ao radar dos investidores, os juros futuros operaram em queda em toda a curva. Durante o pregão, as taxas intermediárias e longas chegaram a registrar queda de mais de 10 pontos-base, mas parte do movimento perdeu força.

A retirada de prêmio da curva, porém, ocorreu desde o início do dia, em correção à forte alta observada ontem nas taxas. “Os juros futuros subiram ontem e voltaram para um nível mais confortável para aplicação com objetivo de longo prazo”, afirmou José Raymundo Faria Junior, sócio e diretor da Wagner Investimentos.

De acordo com ele, os contratos estão em tendência de alta de médio prazo, mas, no longo prazo, seguem em queda, o que favorece posições aplicadas na curva a termo. Selic A ata da última reunião do Copom do ano gerou a interpretação, para alguns agentes do mercado, de que talvez o atual ciclo de afrouxamento monetário possa ter encerrado na semana passada. Essa é a avaliação da consultoria inglesa Capital Economics, que projeta a Selic inalterada em 4,50% ao longo de 2020 e 2021.

“Concordamos que o ciclo de flexibilização terminou em dezembro, mas pensamos que os analistas que esperam alta nas taxas estão muito adiantados. É provável que o grande hiato do produto mantenha as pressões subjacentes sobre os preços contidas e, embora o crescimento se fortaleça em 2020, não será suficiente para garantir taxas mais altas”, diz a equipe da consultoria em relatório enviado a clientes.

Os negócios no mercado de juros também foram influenciados pela cautela antes da divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), do Banco Central, nesta quinta (19). Após o RTI, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, concederá uma entrevista coletiva, onde pode dar pistas sobre os rumos da política monetária brasileira. A expectativa pelo RTI tem aumentado após leituras bem mais fortes do que o esperado pelo mercado de indicadores de inflação.

Nesta quarta, a Fipe informou que a inflação na cidade de São Paulo acelerou para 1,13% na segunda prévia de dezembro, após ter ficado em 0,80% na primeira leitura do mês. Já a FGV relatou que a segunda leitura do IGP-M de dezembro avançou 2,06%, depois de ter anotado 1,83% na primeira medição.

 

Elevação do rating do Brasil depende de crescimento sustentável, avalia Moody’s

O rumo da nota de crédito soberana do Brasil dependerá do quão sustentável será o crescimento econômico do país daqui em diante. Essa é a avaliação de Samar Maziad, vice-presidente e principal analista para Brasil da agência de classificação de risco Moody’s.

“A sustentabilidade da expansão da economia brasileira a partir de 2020 ainda é uma questão”, afirma Samar, que aponta, ainda, para a implementação da agenda de reformas econômicas e estruturais. Pela classificação da Moody’s, a nota de crédito soberana do país é “Ba2”, dois níveis abaixo do grau de investimento. Assim, para Samar, as reformas fiscais somadas a um crescimento sustentável de 2% ou mais do PIB são fatores positivos para o perfil de crédito do país.

A analista da Moody’s acredita, ainda, que a relação entre a dívida e o PIB brasileiro está “começando a se estabilizar”, mas nota que o endividamento deve continuar a crescer no curto prazo. Para ela, seriam necessárias medidas adicionais de perda de fôlego do endividamento para que houvesse uma melhora no perfil de crédito do Brasil a níveis superiores aos contemplados no rating atual.

 

FOLHA

Oferta em alta e juros baixos atraem investidores para leilão de imóveis

O mercado de leilão de imóveis encontra-se em um cruzamento perfeito: ao mesmo tempo em que a oferta de propriedades ainda é grande, as taxas de juros em baixa repelem investidores de aplicações conservadoras em poupança e atraem compradores interessados em financiamentos mais baratos.

De acordo com Henri Zylberstajn, leiloeiro da Sold Leilões, este mercado cresceu mais de 300% em 2019, em comparação com o ano anterior. “Com a melhora da economia, você tem mais gente com condições de comprar, mas como essa melhora é muito recente, você ainda tem muito reflexo de retomada de imóvel por causa da crise”, afirma.

Na Lance no Leilão, o número de imóveis leiloados este ano aumentou em 60% na comparação com o ano anterior. Na Mega Leilões, o crescimento foi de 20%.

O arremate de imóveis para investimento tem se tornado especialmente atrativo, uma vez que as taxas de juros em baixa reduzem a rentabilidade de aplicações financeiras mais conservadoras, incentivando investidores a buscarem outras formas de fazer render seu dinheiro.

Com o mercado imobiliário em recuperação, a expectativa é de uma valorização desses ativos nos próximos anos, diz Fernando Cerello, leiloeiro da Mega Leilões. Para além desse movimento geral da economia, outros fatores como mudanças em leis de zoneamento e obras de infraestrutura urbana também apontam para uma alta de preços.

Zylberstajn, por exemplo, indica a procura por imóveis grandes —de três a quatro dormitórios— com vaga de garagem em áreas próximas a corredores de tráfego, tipo de propriedade que deve rarear na capital paulista em função de mudanças na lei de zoneamento nos últimos anos.

“Existem determinados tamanho de apartamento em certas regiões que nunca mais vão ser lançados. Isso tende a valorizar os leilões a partir do momento que aparece um disponível”, afirma o leiloeiro.

Nos leilões, os imóveis são comprados por com um desconto médio de 35%, mas que pode ser ainda maior. No entanto, o comprador deve ficar atento, porque quanto maior o desconto, em geral mais problemas o imóvel apresenta.

Uma das principais dores de cabeça para quem adquire um imóvel em leilão é a permanência do morador na propriedade. Caso ele se negue a sair, recorrendo na Justiça contra o despejo, a ação pode se desenrolar por anos.

A recomendação nesses casos é que o comprador busque se informar sobre a situação do imóvel e, caso esteja ocupado, estime os custos com uma batalha judicial. Dependendo do caso, o acréscimo desses gastos supera o desconto oferecido no leilão.

O tempo de espera para tomar a posse efetiva do imóvel, a depender do desconto, costuma valer mais a pena para quem compra para investir. Quem tem pressa, como é comum no caso de quem adquire para morar, deve procurar imóveis já decoupados —mas, mesmo nesses casos, a espera para mudar leva em média de 3 a 5 meses, diz Zylberstajn.

Esse tipo de imbróglio é mais comum em leilões judiciais —aqueles frutos de processos na Justiça, como uma ação do condomínio contra um proprietário por inadimplência. Já nos leilões extrajudiciais, modalidade comumente usada por bancos para vender imóveis retomados de mutuários inadimplentes, as pendências costumam ser menores e explicitadas nos editais, de acordo com os leiloeiros.

O potencial comprador também deve ficar atento para eventuais dívidas, como falta de pagamento de condomínio e IPTU, e com outros custos de aquisição, como a taxa paga ao leiloeiro e as despesas com registro em cartório.

Do lado do comprador final, a queda nas taxas de juros e as novas modalidades de financiamento, como a corrigida pela inflação (IPCA), linha comercializada pela Caixa e Banco do Brasil, têm facilitado a aquisição de imóvel.

 

Investidores estrangeiros fogem de ações brasileiras, diz Financial Times

Os estrangeiros evitaram as ações brasileiras em ritmo recorde neste ano, em meio ao ceticismo persistente dos investidores globais quanto à recuperação econômica do país.

No total, investidores estrangeiros retiraram R$ 15,2 bilhões dos mercados de ações do Brasil neste ano, segundo dados da Bolsa de Valores de São Paulo. Os dados consideram as ofertas de ações (IPOs e follow-ons), que passaram a ser incluídas no cálculo neste ano. Sem esse número, a saída líquida é de R$ 43 bilhões.

Ainda assim, a Bolsa subiu mais, com o índice de referência Ibovespa em alta de mais de 25%. Mas os persistentes saques de contas estrangeiras mostram o quanto essa recuperação depende dos investidores locais.

"Os investidores estrangeiros estão procurando mais a realidade do que a retórica", disse Greg Konstantinidis, gerente de portfólio na Fidelity International. "Alto desemprego e baixa utilização de capacidade são sinais de um cenário de crescimento econômico fraco."

Excluído o ano de crise de 2008, os investidores estrangeiros têm sido fortes compradores líquidos de ações brasileiras em todos os anos desde que os números foram coletados pela primeira vez, em 2004.

Mas as entradas líquidas pararam no ano passado e as saídas se aceleraram ao longo de 2019. Até agora neste mês, os investidores estrangeiros reduziram suas participações acionárias no Brasil em R$ 3,4 bilhões.

Isso ocorre em parte porque o Brasil oferece um mercado financeiro grande, líquido e sensível à volatilidade de outras partes da América Latina, de acordo com analistas.

Mas os investidores estrangeiros também ficaram assustados com a interrupção da janela de reformas após a aprovação de uma importante reforma previdenciária neste ano. Apesar dos sinais de crescimento econômico retornarem após uma profunda recessão em 2015 e 2016, o desemprego está em cerca de 12% e a dívida das famílias aumenta.

Alguns investidores também estão evitando o Brasil devido a preocupações com a governança do país sobre o meio ambiente. Sob o presidente Jair Bolsonaro, madeireiros e agricultores intensificaram a exploração econômica da floresta amazônica, fator que já levou a Nordea Asset Management a desistir de investir no país.

Investir dentro de métricas ambientais é "um grande negócio", disse Wilber Colmerauer, consultor financeiro brasileiro em Londres. "Temos um presidente que não consegue parar de falar em produzir o máximo que pudermos o mais rápido possível. Está completamente fora de sincronia."

Enquanto os habitantes parecem ter mantido a fé no programa econômico liberal do novo governo, os estrangeiros são mais céticos. Os dados da Bolsa de Valores mostram que os estrangeiros foram vendedores líquidos de ações brasileiras desde a eleição do governo de direita, em outubro de 2018.

Uma pesquisa regular da XP Investimentos com 81 gestores de fundos, economistas e consultores, a maioria deles de fora do Brasil, sugere que o apoio ao governo nos mercados diminuiu drasticamente.

Em janeiro, 86% dos entrevistados classificaram o governo como bom ou excelente, e 1% como ruim ou péssimo. Em outubro, apenas 45% classificaram o governo como bom ou excelente, e 10% o descreveram como ruim ou péssimo.

"A mensagem que o governo está transmitindo é muito confusa", disse Colmerauer. "Este é um governo liberal, mas possui alguns elementos intervencionistas e extremamente conservadores."

De modo mais amplo, entretanto, as perspectivas para o Brasil são otimistas. A economia cresceu 0,6% no terceiro trimestre, gerando esperanças de uma recuperação cíclica do maior país da América Latina.

A maioria dos economistas consultados pelo Banco Central neste mês espera que o Produto Interno Bruto cresça 1% neste ano —subindo no próximo ano para mais de 2,2%— com inflação de 3,4%.

Os formuladores de políticas também estão se concentrando em uma série de grandes reformas econômicas destinadas a restaurar a confiança na posição fiscal do país, como a revisão do emaranhado sistema tributário do Brasil.

 

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