Sexta-feira

VALOR

Juros futuros têm queda com perspectiva para a economia brasileira

O otimismo em torno das perspectivas para a economia brasileira geraram queda firme das taxas de juros negociadas no mercado futuro nesta quinta-feira, especialmente nos vértices de mais longo prazo da curva, em linha com o recuo da cotação do dólar em relação ao real. O pregão, porém, foi marcado por um baixo volume de negócios, com os investidores retornando às operações um dia após o Natal.

Dado esse cenário, no fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 passava de 4,62% no ajuste anterior para 4,59%; a do DI para janeiro de 2022 cedia de 5,37% para 5,31%; a do contrato para janeiro de 2023 caía de 5,92% para 5,86% e a do DI para janeiro de 2025 recuava de 6,57% para 6,50%. Também por volta das 16h, o dólar era negociado a R$ 4,0620 (-0,44%) no segmento à vista.

Revelada na manhã de ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), a terceira medição de dezembro do IPC-S variou 0,86%, ficando 0,01 ponto abaixo da taxa registrada na divulgação anterior. É a primeira vez que o índice mostra desaceleração desde a passagem da terceira quadrissemana para o fechamento de outubro, quando o índice foi de -0,07% para -0,09%. “O mercado está andando meio de lado hoje, sem nada relevante para se guiar.

O IPC-S veio um pouco para baixo e isso gerou certo otimismo quanto a uma melhora na inflação”, diz Heber Vieira, trader de renda fixa da Terra Investimentos. Também hoje foram divulgados dois índices de confiança pela FGV. O indicador do setor de serviços avançou 1,1 ponto entre novembro e dezembro, para 96,1 pontos, no maior nível desde fevereiro e encerra o ano em trajetória ascendente, como nota o economista Rodolpho Tobler, da FGV Ibre. Já o índice de confiança do comércio teve alta menor, de 0,3 ponto na mesma base comparativa, e alcançou 98,1 pontos neste mês.

“Ambas as impressões reforçam nossa convicção de que as atuais condições econômicas sustentam um crescimento mais sólido em 2020, embora a um ritmo moderado”, afirma, em relatório enviado a clientes, os economistas do Citi. Com esse cenário de retomada da atividade em mãos, o banco americano projeta que a Selic permanecerá estável em 4,5% ao longo do ano que vem.

A mesma estimativa é adotada pelo economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira. Para ele, a queda das taxas futuras hoje está mais relacionada ao comportamento do dólar e dos mercados internacionais. “Qualquer coisa acaba fazendo preço em um dia sem volume como o de hoje”, diz Vieira. Com mais dois pregões pela frente em 2019, o momento, segundo o economista, é de reavaliação de carteiras. O movimento de queda do dólar se dá em um cenário de perspectivas positivas para a economia brasileira no ano que vem.

Com as vendas do Natal acima do esperado, aumenta a expectativa de um crescimento econômico ainda mais forte no Brasil. Para as três principais agências de classificação de risco - S&P Global Ratings, Moody’s e Fitch -, consultadas pelo Valor há uma semana, uma expansão econômica sustentável é fundamental para a nota de crédito soberana brasileira seja elevada.

 

Ibovespa bate 117 mil pontos com otimismo no exterior

A melhora do cenário global deu fôlego extra hoje ao Ibovespa para atingir novo recorde de 117 mil pontos. Com as bolsas americanas também atingindo hoje novas marcas históricas, o mercado local conseguiu antecipar ganhos esperados somente para 2020 e estendeu o rali que já tinha em curso nas últimas sessões.

Com isso, a projeção que já foi considerada super otimista, de 120 mil pontos para o Ibovespa neste ano, volta ao radar: para atingir esse nível, o índice teria que subir agora apenas 2,4%. Depois de passar parte da sessão com ganhos moderados, o Ibovespa acelerou a alta no fim do dia e subiu 1,16%, aos 117.203 pontos. Na máxima, atingiu 117.220 pontos e, na mínima, 115.673 pontos.

O volume financeiro, contudo, ficou em R$ 10,5 bilhões, inferior à média diária de 2019, de R$ 12,3 bilhões, em função dos feriados de fim de ano. Na comparação com outras bolsas latino-americanas, o Ibovespa hoje teve desempenho superior ao da bolsa do México, que em moeda local subiu 0,32% e ao do Chile (-0,87%). Ficou atrás, entretanto, da Argentina, que subiu 5,92%.

Para Rodrigo Franchini, sócio e estrategista da Monte Bravo Investimentos, o Ibovespa tem renovado recordes constantemente pela melhora da economia e com o investidor local. Em dezembro, um novo impulso veio com o cenário externo mais tranquilo, principalmente após o acordo comercial entre China e Estados Unidos. “Esse fim de ano é uma conjuntura de fatores”.

A perspectiva do entendimento entre os dois países e a ideia de que o pior da desaceleração da economia mundial ficou para trás também explica novos recordes em Wall Street. Hoje, a Nasdaq, em Nova York, atingiu 9 mil pontos pela primeira vez na história e encerrou o dia em alta de 0,78%. Já o S&P 500 subiu 0,51% e o Dow Jones teve alta de 0,37%.

Esse clima positivo beneficia as bolsas de mercados emergentes de modo geral. Mas a bolsa brasileira está entre os destaques. Basta olhar para o principal fundo de índice (ETF) de ações brasileiras, o EWZ, que avançou 2,14% hoje, enquanto o EEM, maior fundo de índice (ETF) de ações de países emergentes, subiu 0,72%.

Para Franchini, a bolsa brasileira tem tido melhor desempenho do que os pares na América Latina em função da taxa de juros baixa e cenário político mais estável, diminuindo o risco. “Vamos ficar entre as melhores performances em 2019 com folga”, diz.

A melhora do cenário externo foi o catalisador hoje, mas o grande motor de valorização do Ibovespa em 2019 é a queda da taxa básica de juros (Selic) ao menor patamar histórico, de 4,5% ao ano. Isso, somado à aprovação da reforma da Previdência e retomada da economia, ainda que de forma gradual, explica o ganho acumulado de 33,4% no ano, o segundo melhor desempenho do Ibovespa nos últimos dez anos.

Depois de tantos ganhos, não se pode descartar alguma correção, alertam os especialistas. “Mas, mesmo com realização, não cai para menos de 110 mil pontos. Conseguiu um patamar expressivo e importante e quem sustenta é o [investidor] local e o juros baixo”, acrescenta Franchini.

Um gestor de fundo de renda variável, que preferiu não ser identificado, acredita que o desempenho em dezembro foi um pouco acima do esperado e muito do que poderia vir em janeiro foi antecipado. Para ele, os 120 mil pontos são difíceis pois restam apenas dois pregões neste ano.

Os destaques do Ibovespa hoje foram, mais uma vez, empresas ligadas à economia doméstica, principalmente dos setores saúde, educação e varejistas. A maior alta foi Qualicorp ON, de 4,73%, seguida por Cogna ON (3,57%) e Multiplan ON (3,42%). Em dezembro, o Ibovespa acumula ganhos de 8,3% e, em 2019, a rentabilidade chega a 33,4%.

 

ESTADÃO

Promessa de Bolsonaro, zerar rombo das contas públicas pode ficar para próximo governo

Embora zerar o rombo das contas públicas brasileiras já em 2019 tenha sido uma promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro, nem as previsões mais otimistas apontam para a realização de superávit primário ainda neste governo pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Em abril deste ano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou a prever as contas brasileiras no azul já em 2022. Mas, mesmo com um déficit em 2019 muito menor do que o autorizado na meta fiscal deste ano, os cálculos do próprio Tesouro Nacional apontam para um resultado positivo apenas em 2023, após as próximas eleições presidenciais. Menos otimista com o ritmo do ajuste fiscal, a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado projeta superávits ainda mais tardios, somente a partir de 2026.

O descontrole do gasto público e a maior recessão da história da economia brasileira levaram a trajetória das contas públicas a registrarem sucessivos déficits anuais desde 2014. Mesmo com a aprovação do teto de gastos em 2016 e da reforma da Previdência em 2019, o governo ainda está longe de arrecadar mais do que os compromissos com as despesas obrigatórias que precisam ser pagas a cada ano.

Para este ano, a meta fiscal autoriza um rombo de até R$ 139 bilhões nas contas do Governo Central - que engloba Tesouro, Banco Central e INSS. Mas, ajudada pelo megaleilão do pré-sal e pelo empoçamento de recursos que os ministérios não conseguiram aplicar neste ano, a equipe de Paulo Guedes aposta em um déficit inferior a R$ 80 bilhões em 2019.

Mesmo assim, sem poder contabilizar a repetição de fatores atípicos no próximo ano, a meta de déficit primário em 2020 foi mantida em três dígitos, chegando a R$ 124,1 bilhões, ou 1,53% do Produto Interno Bruto (PIB). Pelas projeções oficiais do Tesouro, a inversão dos resultados para o campo positivo só ocorrerá em 2023 - já em um novo governo - quando o superávit federal deve atingir 0,26% do PIB.

'Guedes está otimista demais'

Já nas contas da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, um superávit de 0,23% do PIB só será alcançado em 2026, três anos após a previsão do governo. O último Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) da instituição prevê o equilíbrio das contas federais (com déficit de -0,05% do PIB) somente em 2025.

"Revisamos o nosso cenário há menos de um mês, com uma redução significativa na projeção para o endividamento público - com mudanças nas estimativas de PIB, juros e inflação -, mas não vemos motivo para apostar em uma trajetória melhor para o resultado primário", afirma o diretor-executivo da IFI, Felipe Salto.

O economista avalia que a equipe de Guedes tem sido "otimista demais" nas projeções para o resultado fiscal nos próximos anos. "Temos observado a escolha pelo governo de metas indicativas pouco forçadas, com a situação melhor que a maioria das projeções de mercado e que a nossa. Continuamos achando que o primário demora a ficar positivo", completa.

Além da arrecadação com o leilão de petróleo em 2019, Salto lembra que o governo terá um forte reforço atípico de caixa com o aumento do recolhimento de dividendos dos bancos estatais. "É meritório que existam essas receitas, mas nada garante que elas se repetirão nos próximos anos", aponta.

O diretor-executivo da IFI reforça que o governo ainda precisa demonstrar como o caixa primário irá melhorar de maneira estrutural, sem depender de fontes extraordinárias de recursos.

"Ainda não existe uma proposta clara de reforma administrativa para atacar o gasto com pessoal. Avaliamos que a PEC do Pacto Federativo também tem problemas que dificultam a sua aprovação. Ajuste fiscal pelo lado do gasto ainda está muito concentrado no investimento, que é o menor da série histórica", conclui.

'É a IFI que está pessimista'

Já o analista de finanças públicas da Tendências Consultoria, Fabio Klein, considera o quadro de projeções da IFI pessimista demais. "Nunca tivemos aqui na Tendências um cenário tão longo assim para a volta do primário positivo", relata.

Pelas contas do economista, as contas federais devem chegar a um resultado "zero" já em 2022 (déficit de 0,02% do PIB), para enfim registrarem um superávit de 0,7% em 2023.

"O resultado que será obtido depende, é claro, do avanço e da magnitude de reformas e das privatizações, além do crescimento da economia e de ajustes adicionais do lado dos gastos", lembra Klein.

Segundo ele, a aprovação da reforma da Previdência e da PEC Paralela neste ano já garantirão ganhos fiscais importantes nos próximos anos. "Além disso, a PEC Emergencial tem chance razoável de aprovação, dando mais fôlego para que o governo consiga até mesmo retomar algum nível de investimento sem comprometer o cumprimento das regras fiscais", completa.

Klein destaca ainda que o possível fim da política de valorização do salário mínimo pode ter grande impacto no ajuste fiscal do governo. Para 2020, o mínimo deverá ser corrigido apenas pela inflação (medida pelo INPC) de 2019, sem qualquer ganho real. "Essa é uma discussão que irá voltar em 2020", conclui.

 

 

 

 

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