Sexta-feira

VALOR

'É hora de entrar nos mercados emergentes'

 "Agora é a hora de entrar nos mercados emergentes." A frase resume o pensamento do chefe de investimento global do Credit Suisse, Michael Strobaek, em relação ao grupo de países do qual faz parte o Brasil. Segundo ele, há oportunidades "em todos os setores" dessa classe de ativos, que parece "barata" em relação aos pares do mundo desenvolvido.

A expectativa de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) seja menos agressivo na política monetária, combinada com a percepção de que o crescimento econômico global se estenderá (embora em ritmo mais lento), ampara a avaliação de Strobaek para os emergentes.

Na renda fixa, os bônus emergentes em moeda forte devem ter desempenho superior a outras classes de renda fixa. O quadro inflacionário nesse grupo de países é benigno como um todo, e o impacto da volatilidade cambial do ano passado tem sido modesto. Com a economia ainda em boa forma, setores cíclicos, como o financeiro e o de tecnologia, são apostas do banco suíço.

O maior risco hoje - não apenas para emergentes, mas para a economia global - vem da China, envolvida numa guerra comercial com os Estados Unidos. Mas o executivo acredita que o país asiático conseguirá estabilizar seu crescimento econômico, o que terá desdobramentos positivos sobre os demais mercados.

A paralisação parcial de serviços públicos nos Estados Unidos - o chamado "shutdown" - é vista pelo executivo do Credit Suisse como "claramente negativa" para a economia. Estimativas do banco suíço indicam impacto final entre 0,6 ponto percentual e 0,8 ponto percentual do PIB do primeiro trimestre, com alguma recuperação nos três meses seguintes. Mas, persistindo o "shutdown", a possibilidade de contração do PIB e corte nas estimativas para o ano cheio de 2019 não está descartada.

Leia os principais trechos da entrevista.

Valor: Quais classes de ativos são apostas para 2019?

Michael Strobaek: Na fase final de um ciclo econômico, normalmente as ações continuam apresentando desempenho superior ao da maioria das demais classes. Por isso ainda recomendamos preferência pelo mercado acionário, a menos que os preços atinjam patamares exagerados ou comece a se configurar uma contração. Após o "sell off" do fim do quarto trimestre [de 2018], estamos cautelosamente otimistas sobre as ações globais e mantemos nossa inclinação de crescimento moderado nos portfólios.

Valor: E quanto aos mercados emergentes?

Strobaek: Vemos oportunidades atraentes em todos os setores dos mercados emergentes: em divisas selecionadas, ações, bem como títulos em moeda local e forte. Continuamos a preferir ações de mercados emergentes. As ações desse grupo estão baratas e até agora tiveram um desempenho inferior à média do mercado. Elas ainda estão cerca de um terço menos caras do que os pares globais, apesar de terem tido desempenho relativamente superior durante a correção negativa dos mercados no quarto trimestre [de 2018]. Isso indica que ainda há espaço para ganhos. Agora é a hora de entrar nos mercados emergentes.

Valor: Qual o risco ao mercado de nova alta de juros pelo Fed?

Strobaek: Não deveria ser um problema para os mercados o Fed aumentar a taxa de juros neste ano, pelo menos uma vez. Quando o "shutdown" dos EUA terminar, esperamos que a renda laboral nos EUA se mostre resiliente e o crescimento se recupere.

Valor: Isso inclui o BCE? Strobaek: Esperamos que o BCE dê passos lentos, diante da deterioração dos dados nos últimos meses. O crescimento na Europa, em particular, desapontou. O BCE só pode agir depois do Fed. Agindo em qualquer momento anterior, o banco europeu colocaria pressão indevida sobre o euro. Esperamos que o BCE aumente a taxa de juros apenas uma vez em 2019, provavelmente no terceiro trimestre.

Valor: Qual o maior risco à economia global neste ano?

Strobaek: Certamente esse risco vem da China. Uma política cambial agressiva, flexibilização do crédito ou a política externa poderiam ser fatores de desestabilização à economia chinesa. Porém, acreditamos que a China conseguirá estabilizar sua economia. Os altos níveis de endividamento deverão desacelerar o crescimento em vez de deflagrar uma crise.

Valor: Qual a perspectiva para o atual conflito tarifário entre Pequim e Washington?

Strobaek: As recentes negociações comerciais entre os dois países parecem ter ido muito bem, e a volatilidade do mercado aumentou a pressão de ambos os lados para chegarem a um acordo. No entanto, os receios tarifários continuam a ser um risco para o crescimento em 2019 e continuam a ser uma fonte significativa de preocupação para os investidores.

Valor: Em que medida o "shutdown" nos EUA pode se mostrar mais um importante fator negativo à economia americana?

Strobaek: Se não virmos nenhuma resolução no curto prazo, o impacto sobre a economia dos EUA no primeiro trimestre será significativo. Estimativas vindas da Casa Branca já consideram a possibilidade de crescimento zero caso a paralisação se estenda até março. Mas nós esperamos uma resolução até o início de fevereiro. Com isso, a renda do trabalhador americano deve se mostrar resiliente, apoiando o crescimento.

 

Investimentos de US$ 100 bi aguardam as reformas do Brasil

Investimentos de US$ 100 bilhões estão esperando para entrar no Brasil, dependendo da evolução das reformas prometidas pelo presidente Jair Bolsonaro em Davos, conforme cifras de bancos de investimento, segundo fontes presentes no Fórum Econômico Mundial. Larry Fink, que dirige US$ 6 trilhões em investimentos na BlackRock, a maior gestora de fundos de investimento do mundo, ilustrou esse interesse. "Estou otimista com o Brasil e definitivamente queremos investir mais no país", disse ele ao Valor.

O Brasil é uma das grandes oportunidades de investimentos no momento, disse David Rubenstein, co-chairman do Carlyle Group, gigante do private equity, durante debate no fórum de Davos. O volume de US$ 100 bilhões é "cifra técnica", diz um banqueiro, explicando que se trata da média das estimativas de diferentes bancos de investimento. Esse volume de capital deve ir para Investimento Estrangeiro Direto (IED) em infraestrutura, compra de empresas brasileiras e capitalização de negócios de empresas que já estão no país.

Um banqueiro nota que, desde Davos de 2018, os preços das ações no Brasil subiram e o real valorizou. Mas ainda assim os ativos brasileiros continuam relativamente baratos. O setor bancário vê boas oportunidades com o projeto do governo de reduzir a presença de bancos públicos na economia.

O mercado de capitais já aumentou bastante no ano passado e é considerado em círculos de Davos como o grande mercado nos próximos dois a três anos no Brasil. A presença unusual de Jamie Dimon, presidente do JPMorgan Chase, maior banco dos EUA em ativos, num evento denominado O Futuro do Brasil também sinalizou o interesse que os planos do novo governo despertaram em Davos.

Para Paul Bulcke, chairman da Nestlé, maior grupo alimentar do mundo, "os planos do Brasil são ambiciosos, e isso é bom". Na mesma linha, a vicepresidente para assuntos corporativos de Cargill, Devry Boughner, que participou de evento com o ministro Paulo Guedes, afirmou que "ser ambicioso é bom para investidores".

Um participante diz que se o governo conseguir fazer metade do que prometeu já é bom. Exemplificou com o cálculo de Guedes de que a reforma da Previdência pode render uma economia de até R$ 1,3 trilhão em dez anos. "Se render R$ 600 bilhões, já alivia." "O plano é bom, o que se espera agora é a execução", resumiu Mauricio Minas, vice-presidente do Bradesco, após uma série de reuniões bilaterais à margem do fórum de Davos.

Também o chairman do Itaú Unibanco América Latina, Ricardo Villela Marino, relatou ter ouvido de banqueiros americanos que, quando as reformas começarem a ser aprovadas no Brasil, haverá fluxos significativos de investimento direto e de portfólio. "Hoje quem está financiando a economia brasileira é a poupança doméstica", disse. "O investidor estrangeiro está fora do Brasil no momento."

O que foi sinalizado a Bolsonaro e sua equipe, em todo caso, foi que o mundo de Davos é muito pragmático. O foco principal está na aprovação rápida da reforma da Previdência Social, porque, se não mudar, será difícil obter sustentabilidade fiscal na maior economia da América Latina. Mas o impacto na economia, avaliam certos participantes, virá de outras reformas para reduzir o custo Brasil e melhorar a eficiência do Estado. Para os investidores, isso é fundamental, reitera um importante banqueiro que prefere não ter seu nome citado. A expectativa é grande sobre simplificação tributária, privatizações, reforma trabalhista. Para um banqueiro, com avanço de reformas, o Brasil deverá recuperar o grau de investimento mais rápido do que previsto.

Recentemente, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, previu que isso poderia demorar anos. Durante um debate ontem no fórum, surgiu a discussão sobre investimentos dos EUA na América Latina. Uma observação foi de que os americanos recuaram, ainda mais com Donald Trump, e os chineses continuam entrando em novos negócios na região. Um participante perguntou a David Rubenstein especificamente sobre a América Latina.

Ele respondeu que investidores americanos sofreram perdas com diferentes turbulências na região. Mas que agora vêm boas oportunidades, citando como principal exemplo o Brasil. A imagem de Bolsonaro, deteriorada no exterior, também foi tema na elite econômica reunida em Davos, mas poucos comentam publicamente. Uma exceção foi o chairman do grupo sueco Vattenfall, Lars Nordstroem, do setor de energia.

Ele contou à imprensa de seu país que participou de jantar de grandes executivos com Bolsonaro. E que sua visão após uma hora e meia de reunião mudou completamente, exemplificando com promessas na área de educação. "Ele pareceu um Robin Hood. Se vai conseguir fazer o que fala, é outra coisa." Ao Valor o presidente da Suíça, Ueli Maurer, contou que, em sua bilateral com Bolsonaro, levantou a questão da proteção da Amazônia. "Ele falou que é sensível à questão ambiental e que não pensa o que os jornais escrevem", disse o mandatário suíço.

 

FOLHA

Otimismo se mantém e leva Bolsa a superar 97 mil pontos

O otimismo de investidores com as notícias da equipe econômica do governo Bolsonaro seguiu ecoando no mercado financeiro nesta quinta-feira (24) e levou a Bolsa a superar pela primeira vez os 97 mil pontos. O dólar também avançou.

O Ibovespa, principal índice acionário do país, avançou 1,15% e fechou a 97.677 pontos. O giro financeiro do pregão foi de R$ 15,4 bilhões. Na semana, a Bolsa subiu 1,6% e acumula ganho superior a 10% no ano.

Dados da B3 mostram ainda que investidores estrangeiros voltaram a aplicar recursos na Bolsa brasileira. Até o dia 21 de janeiro, eles ingressaram com R$ 1,6 bilhão. No ano passado, o saldo ficou negativo em R$ 11,5 bilhões, movimento que se acelerou depois de outubro.

O noticiário de Davos foi fraco nesta quinta, sob o aspecto econômico, mas investidores abraçaram as notícias da véspera em que o ministro da Economia, Paulo Guedes, detalhou metas para o governo e plano de privatizações, além de compromisso com reforma da Previdência.

A quinta foi a vez do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmar que renovaria as concessões de estradas do estado, o que ajudou a impulsionar os papéis do setor na Bolsa.

No exterior, não houve tendência única para o mercado acionário. Na Europa, o presidente do Banco Central europeu, Mario Draghi, alertou para risco de desaceleração no bloco, afetando os preços das moedas, mas com pouco efeito sobre as Bolsas.

Nos Estados Unidos, o risco de que os governos americano e chinês não cheguem a um acordo para por fim à guerra comercial tampouco teve impacto significativo sobre Wall Street. Ao final do pregão, o S&P 500 operava estável, o Dow Jones tinha leve queda, enquanto a Nasdaq avançava.

O dólar teve um dia de grande variação nesta quinta e fechou com alta de 0,21%, cotado a R$ 3,7710. Na mínima, foi cotado a R$ 3,74 e na máxima se reaproximou dos R$ 3,80.

O dia foi misto para emergentes: de 24 divisas desses países, metade ganhou e a outra perdeu valor para o dólar.

 

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